5 princípios indispensáveis para cuidar da rivalidade entre irmãos

avatar de Vivian Wrona Vainzof
Vivian Wrona Vainzof

O livro Irmãos sem Rivalidade, das autoras Adele Faber e Elaine Maslish, propoe soluções pacíficas para lidar com as disputas entre irmãos. O mais interessante é que ele abre nossos olhos para o fato de que o conflito é necessário para o desenvolvimento infantil. Disputas e desentendimentos sempre existirão. Ignorar esse fato e todas as suas consequências, como as raivas, as mágoas, até as vitórias que imprimem um senso de superioridade em alguma das partes podem ter consequências perigosas e muito mais duradouras.

Para lidar com essas situações que parecem sem saída, as autoras destacam algumas atitudes que podem ajudar a amenizar as brigas dentro de casa:

  1. Empatia: compreender e acolher a causa dos conflitos é a porta de entrada para a solução. Os sentimentos de raiva e tristeza que as crianças sentem são legítimos e precisam ser validados. Em vez de apartar as brigas ao primeiro sinal de faísca, é mais eficiente trazer consciência e nomear as emoções. Quando ouvir um filho dizer, com muita raiva: “Vou matar o Pedro! Ele pegou minha bicicleta nova!”, no lugar de reprimir, sugira: “você ficou furioso. Esperava que seu irmão te pedisse permissão antes de usar suas coisas. Você deveria dizer isso a ele.” A empatia aproxima e promove a confiança como um passe de mágica, ao passo que a repreensão enfurecer ainda mais.
  2. Nada de rótulos: as crianças ocupam os lugares “vagos” ou aqueles que acreditam que sejam os seus. Se um filho é muito bom aluno ou muito habilidoso nos esportes, é possível que outro, na impossibilidade de se igualar, prefira o extremo oposto. Outras vezes, criamos um script sem nem perceber, com frases como “o mais velho é tão organizado e o outro, um furacão”, ou “esse aqui é tímido demais, enquanto aquele, uma matraca, fala pelos dois”. Quando reforçamos os rótulos, aprisionamos as crianças (de ambos os lados do conflito) em papéis que elas se vêem obrigadas a desempenhar. Quando ouvir: “eu sou muito burro, nunca consigo fazer a minha lição sozinho.” Sugira: “vejo que você se esforça muito e está aprendendo bastante. Tenho certeza que sua professora ficará satisfeita. Você também deveria ficar.”
  3. Pai não tem partido: é comum que as brigas tenham um agressor e uma vítima, a quem logo corremos para acudir. Esse julgamento pode ser injusto e ainda potencializar as raivas e reforçar o papéis fixos de cada uma das partes. É valioso considerar que as causas que desencadeiam os conflitos podem não ser evidentes. O agressor tem sempre as suas razões, ainda que ele mesmo não reconheça ou compreenda. Pode ser algo tão antigo ou tão profundo que corremos o risco de desprezar, reforçando títulos como “agressivo” ou “explosivo”. Na verdade, essa criança precisa de acolhimento e compreensão. Com apoio e reconhecimento, é mais provável que consiga se livrar da repetição do comportamento. Ou seja, antes de apontar culpados, vale a pena ouvir as versões de cada um, de forma imparcial, encorajando as crianças a encontrarem, sozinhas, uma solução. Quando ouvir-se dizendo: “quem começou?” ou “por que você sempre atrapalha a sua irmã?” Reflita em voz alta: “vejo que querem brincar com esse brinquedo ao mesmo tempo. Uma situação difícil, como pensam em resolver de uma forma boa para todos?” Assim, todos se escutam, eliminam mal entendidos e se sentem respeitados. Os adultos não precisam resolver as questões e sim abrir o canal de comunicação para que eles possam se relacionar uns com os outros.
  4. Sem comparação: fazer comparações entre os filhos contribui enormemente para a rivalidade entre eles. É delicioso conhecer cada um deles e valorizar sua individualidade de forma absoluta, sem enquadrá-los nas referências que conhecemos. Se um filho é mais ágil e apressado e o outro mais vagaroso; se um filho é voraz e o outro inapetente; se um filho é criativo e divertido e o outro mais introspectivo, essas são suas personalidades. Tentar nivelar todos pela mesma régua, como se apenas uma forma seja merecedora de elogios é uma agressão e incita a eterna competição entre eles. Quando ouvir-se dizendo: “você é sempre tão pontual, gostaria que seu irmão aprendesse isso com você”, descreva o fato sem referências aos outros: “sua aula começa em 20 minutos e você já está pronto, que bom! Isso facilita a vida para mim e para você.”
  5. Todo filho é único:é fácil tropeçar na tentativa de oferecer a mesma coisa a todos os filhos quando, na verdade, a necessidade de cada criança é única. Tentamos equiparar tudo porque parece ser o mais justo a fazer. Não é! Cada criança tem seu tempo, suas habilidades e seus interesses. O resultado são crianças insatisfeitas, incapazes de atender a todas as expectativas e mães igualmente frustradas. É mais fácil garantir que todos sejam cuidados e atendidos plenamente, em toda a sua necessidade, sem preocupação com a grama do vizinho. Quando ouvir: “você já ficou meia hora com ele! Agora é a minha vez!” Sugira: “estamos lendo um livro e já estamos quase no fim. Quando acabar, vou querer ouvir toda a história que quer me contar, sem precisar olhar no relógio.” Se a criança se sente inteiramente valorizada, não precisa provocar ou chamar a atenção. A entrega desigual, de acordo com o que cada um precisa em momento diferente, é uma forma libertadora de ser justo com os filhos.

Ainda que irmãos não sejam os melhores amigos desse mundo, precisamos ensinar tolerância e respeito acima de tudo. Viver sob o mesmo teto e conviver pelo resto da vida é um desafio, e a disputa pela atenção e o reconhecimento dos pais gera tensão constante. Por esse motivo, podemos exigir que as crianças sejam, ao menos, pacíficas. Nossa missão nesse ambiente é criar um ninho onde todos se acomodem, com suas qualidades e defeitos e todas as suas diferenças, assegurando que todos terão o cuidado e o amor na exata medida de quanto precisam.