9 dicas para a boa convivência entre pais e filhos, pela psicóloga Diane Levy.

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Vivian Wrona Vainzof

As lojas enfeitadas com luzinhas coloridas, os presentes de amigo secreto, o material escolar voltando para casa, clima de fim de ano. Só o calor não chegou ainda em São Paulo, para reforçar a sensação de que as férias de verão estão prestes a começar. As crianças contam os dias para terminar as aulas e as obrigações que lotam suas agendas, enquanto mães e pais, ao contrário, já estão roendo as unhas, preocupados com a o tempo livre de crianças que já quase esqueceram o que é brincar livres.

Serão meses intensos para uma convivência enferrujada. Desacostumados a passar tanto tempo juntos, alguns pais estão sem fôlego para as disputas naturais da infância e alguns filhos estão pouco tolerantes para as exigências que os frustram. E como sair dessa enrascada?

A psicóloga neozelandesa Diane Levy, autora do livro “É Claro que Eu Amo Você... Agora Vá para o Seu Quarto!” (Editora Fundamento) e especializada no aconselhamento de pais, dá algumas dicas. “Quando você evita explicar muito, avisar muito, adular, subornar, ameaçar e punir, você poupa tempo e energia e mantém a sua dignidade como pai ou mãe. Quando você deixa a distância emocional fazer o trabalho, suas crianças rapidamente aprenderão que quando você pede que eles façam algo, eles não tem alternativa a não ser fazê-lo”.

Diane Levy:

1. Não se explique demais

“Quando pedimos para uma criança fazer algo ou parar de fazer, nosso hábito é seguir com uma grande explicação. Se nossos filhos não respondem à primeira explicação, pensamos que não entenderam e, então, gastamos tempo e energia tentando convencê-los”, explica Diane.

“Se a criança não entendeu porque está sendo solicitada a fazer ou deixar de fazer algo, dificilmente ela será convencida por mais e mais explicações. O que ela precisa entender é que tudo o que você pede é para o bem dela – e assim será até ela crescer”.

2. Não dê mais de um aviso

“Ao dar várias chances e avisos, nós mostramos às crianças que não acreditamos naquilo que dizemos e que não esperamos uma ação efetiva até darmos muitos e muitos avisos”, diz Diane. “A maioria das crianças entende que enquanto os pais estão nesse ‘modo de aviso’, nada irá acontecer”. Portanto, seja firme.

3. Não bajule

Você se pega usando frases como “se você arrumar seu quarto, ganha um presente” ou “coma tudo e te dou um doce” com frequência? Pense melhor. “Quando os adultos se veem compensando as crianças para que façam o que devem, isso significa que os filhos esperam uma razão convincente o bastante para encorajá-los a começar uma tarefa que não é mais que obrigação deles”.

4. Não suborne

As crianças devem ter um senso de obrigação. “Se o único jeito de fazer com que as crianças cumpram seu dever é oferecendo algo, ficamos vulneráveis a ter cada vez mais “mimo”, maiores e melhores. Além disso, essa ação dá às nossas crianças a permissão de perguntar ‘o que você me dará se eu fizer isso?’ – e esse não é um bom hábito para se encorajar”, resume Diane.

5. Não ameace

Quando você ameaça dizendo “se não fizer isso, então não terá aquilo” abre-se uma proposta de acordo que dá margem para a criança negar a oferta. “Aprendi essa lição muito cedo com o meu primeiro filho. Quando dizia ‘Robert, se você não guardar seus brinquedos agora, não iremos ao parque essa tarde’, ele apenas respondia ‘tudo bem’. E eu ficava sem saber para onde ir”, relembra.

“Outro problema em ameaçar é que, se você fala que irá fazer algo, é obrigado a cumprir isso. A maioria das ameaças que tem como objetivo persuadir a criança a fazer o que foi pedido nos pune mais do que a elas”, explica Diane. E exemplifica: “Os pais ameaçam: ‘Se você não fizer isso imediatamente, não verá mais TV pelos próximos três dias’. É mais provável que a vida de quem fique mais difícil com essa ameaça?”.

6. Não puna

Segundo Diane, algumas crianças aprendem através das punições, mas muitas se tornam ressentidas, irritadas e se sentem tratadas de forma desleal. “Também, se usarmos a punição, nossos filhos podem simplesmente aprender como aguenta-las – e voltarem a fazer aquilo que tentamos evitar”, afirma.

Mas se os pais deixarem de explicar, avisar, adular, subornar, ameaçar e punir, o que eles podem fazer? Diane sugere uma estratégia simples, com três passos: peça, diga e aja.

7. Peça uma vez só

Diane recomenda que os pais simplesmente peçam o que deve ser feito e observem a resposta do filho. Isso dará a eles uma informação importante. “Quando as crianças se negam a fazer o que foi pedido, eles usualmente expressam uma das três formas a seguir: tristeza, irritação ou distanciamento”, ensina ela.

A tristeza é simbolizada por chateação. “Eles parecem ofendidos e dizem ‘por que eu?’”, descreve. A irritação se manifesta em confronto: “eles discutem e acusam você de ser injusto com eles”. O distanciamento é caracterizado por indiferença. “Eles ignoravam você, olham para outro lado e continuam o que estão fazendo”, completa Diane. “Tudo isso significa que a criança não fará aquilo que pediu”. Mas como reagir?

8. Diga de maneira enérgica

“Vá até o seu filho – isso pode ser um pouco difícil para os pais, pois significa que eles terão que parar aquilo que estavam fazendo, levantar e ficar do lado da criança”, orienta Diane. Segundo ela, a presença próxima vale a pena. “Uma vez que aparecemos perto da criança, ela sabe que isso significa que ela terá que fazer o que foi pedido”.

A autora recomenda que os pais falem baixo – isso mostra que eles estão no controle tanto da própria voz quanto da criança – e que olhem seu filho nos olhos.

9. Aja

Se seu filho não respondeu a nenhuma das ações anteriores, você precisa fazer algo. “A coisa mais efetiva que você pode fazer é usar a ‘distância emocional’ até que ele esteja pronto para fazer o que foi pedido”, aconselha Diane. “Pegue-o no colo ou pela mão e o leve para o quarto. Diga firmemente ‘você é bem-vindo para se juntar à família assim que estiver pronto para fazer o que pedi’, e deixe-o sozinho”, completa. Lembre-se: o seu filho tem o poder de se reunir à família ao fazer o que lhe foi pedido.

Livro de Diane Levy.
Livro de Diane Levy.

Fonte: Delas - iG