A música no desenvolvimento das crianças

avatar de Talita Pryngler
Talita Pryngler

Nós dias de hoje, “quase” todo mundo sabe o quanto a música é fundamental para o desenvolvimento das crianças. Não precisa ir muito longe para constatarmos também o quanto a música é uma linguagem universal e atravessa todas as culturas e camadas sociais. Podemos pensar então, porque será que isto acontece? Por que independente do nível sócio cultural e da idade a música é um elemento tão presente no cotidiano das pessoas?

Experimentamos os sons a partir da vigésima semana de gestação. Escutamos o som da voz e partilhamos da sonoridade interna do corpo da nossa mãe quando ela respira, acelera o coração, digere algo ou flui com os fluidos de seu corpo, num ritmo próprio da vida. Já do lado de fora, o timbre, melodia e prosódia da voz nos acalma, excita, conta histórias e nomeia os desconfortos com uma musicalidade singular. Quando o bebê cresce mais um pouco entram os sons ao redor da casa, da rua, da natureza, dos passarinhos e de tudo que faça parte do ambiente. Os sons estão no corpo, na comunicação nas brincadeiras e, claro, na música. A música é capaz de juntar todos estes elementos: ritmo, voz, melodia, acordes somando tudo isso a uma narrativa, uma pequena história que toca seu ouvinte, e faz vibrar todo o seu corpo. Por isso quando vemos um bebê dançar chacoalhando o corpinho, batendo palminha enquanto escuta uma música ficamos encantados, pois ele responde a um elemento da cultura que diz sobre ele e pode ser partilhado com os outros. Acho muito importante dizer que criança não precisa, e nem deve, ouvir somente música de criança, partilhar do repertório musical dos pais é um grande patrimônio de família! Os pais também não precisam frequentar programas que agradam somente as crianças, elas podem e devem acompanhar os pais em seus programas, desde que seu ritmo seja respeitado.

Lembrei de tudo isso porque sábado fomos assistir, em São Paulo, a Banda Estralo com o show Estralando o Roque. Achei sensacional o repertório de rock nacional passando por Rita Lee, Secos e Molhados, Paralamas do Sucesso, Raul Seixas na versão do Balão Mágico e muito mais. Um show pensado para as crianças com iluminação, figurino e atuação bem interativa com o público, onde os adultos foram se soltando e no final cantavam como se não houvesse amanhã. Uma proposta que integra pais e filhos, que se divertem juntos, cada um a sua maneira. Minha filha mais nova curtia e imitava os gestos da vocalista roqueira, a mais velha ia lá na frente pegar os papeizinhos coloridos do chão. Eu fiquei lembrando das músicas do Balão Mágico e meu marido curtindo um rock!

Nota da editora:
Há diversas montagens de musicais infantis com trilha sonora “de adulto”- uma sacada de mestre dos produtores para agradar pais e filhos! Um bom exemplo é o Alice no país do iê iê iê, que inclusive fizemos uma playlist no nosso canal do Spotify com as musicas apresentadas em cena. Escute com as crianças e aproveite!

por Talita Pryngler em colunas, experiências.

Talita Pryngler é psicóloga (PUC-SP), psicanalista (Sedes Sapientiae) com especialização em educação de 0 a 3 anos (ISE - Vera Cruz) em desenvolvimento motor (Núcleo do Movimento - André Trindade) e Intervenção preciosíssima de bebês e seus pais (Instituto Langage). Idealizou e coordena o Espaço Bebê da Hebraica, é consultora na área desenvolvendo projetos para primeira infância e atende em consultório particular crianças, adolescentes e adultos. Atualmente integra o corpo de professores do instituto Gerar de psicologia perinatal. É mãe de duas meninas e adora o universo da infância.