Ensinando às crianças a arte de se acalmar – Parte 01

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Daniela Degani

Como mãe (de 3!), o tema “acalmar a criançada” é de extrema importância na minha vida: para que eles não se machuquem quando estão excitados demais e seus corpos parecem mover-se sem nenhuma preocupação com as propriedades físicas da matéria (quinas, paredes e outros seres ao redor), para que eles não percam o controle por coisas sem importância (porque, afinal de contas, às vezes parece impensável beber água num copo que não seja o do Batman o qual, infelizmente, esquecemos na casa da vovó), para que a gente consiga se escutar um ao outro numa conversa (e dizer, sem interrupções, frases inteiras com sujeito verbo e predicado - raridade em certos dias!).

Na busca de um ambiente familiar mais tranquilo, notei que simplesmente falar “você precisa se acalmar” era tão inútil quanto tentar parar um carro desenfreado numa descida apenas com palavras. É pouco provável que frases como esta produzam efeito numa criança tendo um chilique. E pior, em mais de uma ocasião, o simples dizer “acalme-se” parecia atiçar ainda mais o “leão” que brinco viver escondido dentro dos meus filhos; leão este que não se importa em rugir alto, nos lugares e momentos mais inapropriados, para minha vergonha e preocupação.

Quando encarei de frente o fato que minhas tentativas de tranquilizar meus filhos não estavam lá surtindo muito efeito, comecei uma busca por técnicas, dicas, algo que pudesse funcionar. Como praticante de meditação, e testemunha de que os benefícios reportados nas centenas de pesquisas científicas sobre mindfulness são reais e podem ajudar até mesmo pessoas com a mente agitadíssima como a minha, me ocorreu que aí podia estar um caminho que ajudaria às crianças também, por que não?

Bem, a pergunta “por que não?” recebeu, em poucos segundos, uma enxurrada de respostas críticas, saídas da minha própria cabeça. “Que criança vai ficar parada prestando atenção na respiração?!” “Se já é difícil para adultos, imagina para os pequenos!”, “Agora você se superou Dani, tá maluca mesmo…”.

Mas nada que dar um Google sobre o assunto não jogasse uma luz (e dados científicos) sobre “é possível meditar com as crianças?” Sim, é possível. E sua eficácia também tem evidências demonstradas em pesquisas em vários países. Alunos do Ensino Fundamental de escolas da Califórnia melhoraram sua capacidade de concentração e equilíbrio emocional. Crianças da Coreia que diminuíram agressividade e ansiedade, até adolescentes do Reino Unido com significativa redução de estresse. Outro estudo, também com adolescentes, mostrou reversão de 80% dos sintomas de depressão (sem uso de medicamento). Afinal de contas, eu não estava tão louca. Ufa! rsrs

Ficou com curiosidade para saber mais sobre como ensinar às crianças como acalmar-se? Nas próximas colunas, dividirei com vocês algumas técnicas inspiradas nos princípios milenares da meditação, testadas e aprovadas pelas crianças: as daqui de casa, dos grupos de meditação infantil que conduzo e das escolas nas quais ensino o programa de Meditação Mindfulness da Mindful Schools/EUA.

Espero que a gente se encontre muitas vezes aqui no bora.ai