Girando em Falso

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Vivian Wrona Vainzof

Essa semana eu li um texto da psicóloga Rosa Cukier que faz uma metáfora entre os spinners - brinquedo que virou febre entre crianças e adultos no mundo inteiro - e a nossa sociedade atual. O desafio da brincadeira é girar esse peão achatado, que pode aparecer nas mais diversas formas e cores, pelo máximo de tempo possível, ininterruptamente. E qual é o nosso desafio, como seres humanos desse tempo onde tudo gira, mais rápido do que podemos acompanhar? Será que também não estamos acelerando além da conta no nosso próprio eixo, avulsos, rasos e tontos? Acho que estamos ansiosos demais para parar, como se isso significasse um fim. Como se a pausa ou a lentidão fossem a perda inexorável numa corrida fictícia que se criou entre nós. Como se o mais importante fosse o destino e não o caminho; como se o mais valioso fosse ver e não sentir; como se seguir fosse melhor do que ficar e aceitar; como se a verdade de cada um não fosse o mais essencial.

Permanecemos numa roda viva e acelerada que acabará nos deixando, acima de tudo, tontos. Não importa quem vai chegar primeiro quando não sabemos pra onde vamos, ou se estamos na direção correta. A era da informação, que se faz também a era do desconhecimento, está nos tornando bem mais inseguros do que fortalecidos. Quanto mais informação sem reflexão, menos conhecemos em profundidade e menos capacidade nós temos de fazer uso do que sabemos. Aprendemos sem apreender coisa alguma. “Há que curtir o caminho, desacelerar, administrar a sensação de perda de algo. Se estamos perdendo algo, é o momento presente, o único aonde realmente estamos”. conclui Rosa.