Matutaí: A escola da vida

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Vivian Wrona Vainzof

Decidir a escola dos meus filhos foi um dos processos de escolha mais difíceis que me lembro ter passado. Para algumas pessoas, essa definição é tão natural que me dá inveja. Procurando a escola ideal, visitei instalações ultra modernas, com laboratórios de última geração e campus cinematográficos, mas será que as crianças, ali, aprenderiam a ter paciência e tolerância? Outras prometiam crianças letradas, disciplinadas, cumprindo desde cedo com todas as suas obrigações, mas desenvolveriam a curiosidade e a criatividade dos meus filhos? Havia ainda aquelas que garantiam boa colocação nos rankings nacionais e internacionais, fluência em ingles, francês, espanhol, mandarin, mas como cuidariam da auto-estima e do acolhimento dos alunos? São tantas as nossas exigências atuais, para que as crianças cresçam e amadureçam responsáveis e prontas para a vida adulta. Tantas expectativas e planos para um futuro eterno, tão pleno e tão perfeito, que ocupa todo o momento presente. Leva as crianças em viagem expressa para o amanhã. Mas e hoje? O que poderíamos esperar das escolas para quando nossos filhos forem crianças? Não está faltando, junto com o conteúdo - do qual ainda não poderemos abrir mão - priorizar a empatia, cortesia, generosidade, resiliência, bom humor?

Seis anos mais tarde e depois de conhecer escolas de todos os jeitos, ainda tenho tantas dúvidas. Mas estou certa de que o melhor para os meus filhos é uma escola em que confio, em que entrego meus meninos de olhos fechados e aceito as decisões e as condutas tomadas na minha ausência. Conversar com o jornalista Alexandre Ale Voci Sayad, que atua na área de educação há décadas, também ajudou a acalmar meu coraçãozão.

Na entrevista abaixo, ele conta um pouco sobre as estratégias para manter a saúde dessa delicada relação família-escola:

Matutaí - O que é ser um pai parceiro da escola?
ALS- É ser um pai que ajuda na construção da educação do seu filho, respeitando os limites e os papéis que a escola em questão e a família devem exercer conjuntamente. Grupos de Whatsapp de pais são um anti-exemplo disso. Mas proposições e acompanhamento de desempenho pedagógico são um bom exemplo.

Matutaí - - Até onde os pais podem interferir na politica pedagógica da escola dos filhos?
ALS- No momento da escolha da escola há também delegação de funções. Pai não muda diretriz de escola - pode, pelo contrário, prejudicar o desempenho e autonomia do filho. A escola deve ter firmeza em suas proposições básicas. Pais não devem se ver como clientes - como de uma loja de roupas - mas encontrar uma interlocução de confiança na escola e construir conjuntamente. Escola e família são pontos de uma rede cada vez mais ampla de formação das crianças e jovens.

Matutaí - - Como construir uma boa relação com a escola? E vice-versa: como a escola pode construir uma boa relação com os pais?
ALS- Encontrar interlocutores na escola que possam dar os limites dessa relação e sobretudo propor soluções conjuntas. Escola têm que se abrir para diálogo com pais, mas não se transformar em balcão de reclamações. Pais devem respeitar autonomia dos filhos e serem mais propositivos.

Matutaí - - Quais os perfis de escolas e modelos de educação disponíveis hoje no Brasil? Como escolher a escola ideal para o meu filho?
ALS- Há inúmeras, não dá para ficar numerando. Mas uma coisa é certa: há escolas certas para perfis determinados de pais e alunos. Primeiro passo para encontrar a escola ideal: conhecer bem seu filho. Segundo: entender em que momento vive a educação do mundo. Terceiro: conhecer a proposta da escola em questão.

Alexandre Le Voci Sayad também é educador e escritor. Fundador de mais de cinco empresas, ongs e redes. Colaborador em mais de 11 livros. Atualmente é sócio-fundador da ZeitGeist - Educação, Cultura e Mídia e membro do conselho da aliança GAPMIL, da UNESCO internacional.

Ele é o próximos convidado da Roda de Encontros Matutaí. Para ouvir o Alexandre e participar dos próximos encontros, que vão ate dezembro, inscreva-se pelo sympla.