Quando uma criança ajuda a outra

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Daniela Degani

Pode ser um gesto tão simples quanto dividir o lanche, emprestar um lápis ou ajudar a resolver uma equação. O ato, por si só, já é bonito. E o que talvez muita gente não saiba é que, somado à essa beleza, há um desenvolvimento neurológico importantíssimo acontecendo. Quando uma criança ajuda a outra é porque foi capaz de compreender as necessidades do outro, de sentir o que o outro está sentindo, ou seja, demonstrou empatia. E, ao detectar o sentimento do outro, teve vontade de fazer algo a respeito, seja diminuindo a fome de alguém que esqueceu o lanche em casa, seja compartilhando um conhecimento com um colega que esteja com dificuldade para solucionar um problema de matemática.

Empatia e compaixão são ambas funções do córtex pré-frontal, também chamado de “cérebro superior”. Além destas, o córtex pré-frontal está relacionado à atenção, moralidade, memória de trabalho, comportamento social, planejamento e tomada de decisões.

Abaixo, algumas sugestões de atividades simples para ajudar as crianças a desenvolver habilidades como empatia e compaixão. Essas atividades são inspiradas nas práticas de heartfulness, testadas e aprovadas pelas mais de 300 crianças que já passaram pelo Programa MindKids de meditação infantil.

  1. Brincar de “detetive emocional” – ao assistir um desenho animado, ler uma história ou ver a foto de alguém numa revista, pergunte para à criança: “o que este personagem/esta pessoa deve estar sentindo? Vamos investigar?” Deste modo, ao ler as expressões faciais ou imaginar o que sentiria alguém passando por uma determinada situação, estamos estimulando a empatia, o sentir pelo outro - além de ser um campo rico para uma conversa entre pais e filhos.
  2. O que você faria? - convide a criança para imaginar-se em situações hipotéticas, por exemplo, “sua professora está chegando na sala de aula, segurando uma pilha de livros pesados. O que você faria?” Muitos dizem que se ofereceriam para ajudar a carregar alguns livros, outros que abririam a porta para professora poder entrar na sala de aula etc. Depois do relato, dê um retorno do tipo: “acho que sua professora iria se sentir muito feliz com sua ajuda!” E instigue: “E você, como se sentiria ao ajudar?” As respostas em geral são: bem, legal, feliz comigo mesmo, contente por poder ajudar. Essa é a mágica de quando ajudamos aos outros: nós também ficamos felizes!
  3. Diário das boas ações: infelizmente, os noticiários são repletos de crimes e violência. As crianças muitas vezes se sentem impotentes frente a estas notícias. Proponha para a criança uma atividade diferente: sempre que vocês verem alguém ajudando outra pessoa ou ouvirem uma notícia positiva, contem um ao outro e anotem num diário. Desde coisas simples como “vi um moço ajudando uma senhora a carregar as sacolas do supermercado” até imagens de bombeiros ajudando as vítimas de uma enchente.

O nosso córtex pré-frontal é como um músculo: se desenvolve quando incentivado e enfraquece quando não exercitado. Cada vez que uma criança sente empatia e tem atitudes compassivas para com os outros, está estimulando e fortalecendo seu cérebro superior. Como pais, mães e cuidadores, atentos a esta questão, podemos fazer uma diferença positiva para nossas crianças