Vivências e memórias em família

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Talita Pryngler

Esta coluna é um convite a explorarmos a cidade, suas opções culturais e de lazer com um olhar mais atento, buscando apreender um pouco mais a fundo sobre essas experiências.

Escrever sobre as opções de passeios da cidade muito me encanta. Começo a imaginar uma cena de crianças com sorriso no rosto, saltitando de alegria, de mãos dadas com adultos que estão buscando passar um tempo gostoso e interessante com elas. Essa cena por si só já é a base de grande parte da vivência, o desejo de pais e filhos curtirem-se. Se pudermos somar um lugar interessante que traga boas experiências, aprendizados, trocas e uma estrutura agradável para recebê-los, a missão será cumprida!

Mas para além das dicas de lugares e programas legais quero também pensar um pouco mais a fundo sobre estes momentos: O que eles nos trazem? Como nos sentimos? De que maneira somos tocados? Que lembranças despertam? O que estamos oferecendo às crianças?

Quando passamos momentos em família estamos nos constituindo enquanto pais e filhos, é claro que isso se dá há todo momento, mas a diferença está em quando estamos nos dispondo a estarmos com as crianças. Nestes momentos de passeio, pelo menos em tese, estamos mais disponíveis. Me lembro até hoje do dia em que fui com meu pai e minha irmã no Holiday On Ice, eu devia ter uns oito anos. Meu pai me comprou uma maça do amor que era com certeza mais bonita e fascinante do que gostosa. Nestes instantes estamos construindo memórias. Um repertório de marcas e lembranças de acontecimentos às vezes gostosos, às vezes frustrantes, surpreendentes, assustadores, que nos fazem crescer juntos e que no futuro nos farão lembrar dos cheiros, das cores, do abraço apertado, do ralado no joelho, com saudade e nostalgia.

Além das vivências e memórias estamos também conduzindo o início das referências culturais das nossas crianças que na maioria das vezes revela a nossa visão de infância, e porque não dizer do mundo. Não que estas escolhas sejam sempre tão conscientes e coerentes, mas elas apontam para algumas direções. Elas falam sobre nossas preferências, nossos desagrados e, principalmente, conversam com a criança que fomos e que ainda permanece viva quando brincamos, ouvimos histórias, assistimos uma peça ou vivenciamos uma instalação. O brincar e a arte ocupam um lugar de muita importância na vida, porque são espaços de potência e criação, entre nós e de cada um, ao mesmo tempo.

A ideia então deste espaço, que será atualizado quinzenalmente, é devanearmos um pouco, trazendo um olhar curioso, critico, engraçado e observador sobre os lugares, opções, nós mesmos e as crianças!

Sejam bem vindos!

por Talita Pryngler em colunas, experiências.

Talita Pryngler é psicóloga (PUC-SP), psicanalista (Sedes Sapientiae) com especialização em educação de 0 a 3 anos (ISE - Vera Cruz) em desenvolvimento motor (Núcleo do Movimento - André Trindade) e Intervenção preciosíssima de bebês e seus pais (Instituto Langage). Idealizou e coordena o Espaço Bebê da Hebraica, é consultora na área desenvolvendo projetos para primeira infância e atende em consultório particular crianças, adolescentes e adultos. Atualmente integra o corpo de professores do instituto Gerar de psicologia perinatal. É mãe de duas meninas e adora o universo da infância.