Os brinquedos e as crianças: Pião, peteca, bola, bambolê e corda

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Silvia Lopes

O brinquedo é uma extensão do nosso corpo. Para girar um pião, por exemplo, a criança não usa apenas as mãos. Ela precisa acionar o corpo inteiro, prepará-lo, ter uma intenção corporal para fazer a mágica acontecer, e o pião girar e começar a dançar.

O pião é mágico, hipnotiza a criança com a velocidade dos seus movimentos, e sua permanência girando. Muitas crianças, espontaneamente, deixam o corpo girar como se fosse um pião, e de repente, corpo e pião se confundem e se tornam uma coisa só.

O adulto pode otimizar essa brincadeira corporal desafiando a criança a girar com o bumbum ou com a barriga no chão, de joelhos e com as costas apoiadas, usando os pés para girar o corpo. Também é possível imitar o pião de pé, girando com os braços abertos, ou como o Saci Pererê, girando e pulando em um pé só. Pode-se também brincar em dupla, segurando a mão da criança, girando-a inicialmente devagar e depois acelerando até cair no chão de tanta tontura. Aliás… As crianças adoram essa sensação.

A brincadeira pode também tornar-se coletiva, com amigos, irmãos, primos, tios, fazendo uma grande roda entoando a cantiga popular “Roda Pião” (O Pião entrou na roda, o pião! /O Pião entrou na roda, o pião! /Roda pião, bambeia pião!)

Outro brinquedo que convida a uma verdadeira dança é a peteca.

Em dupla ou em grupo, fica nítido a dança que se cria durante a brincadeira. Pulamos para alcançar a peteca, nos jogamos no chão, levantamos e corremos para não perdê-la. É muito lindo ver crianças e adultos brincando de peteca, pois criam assim uma dança livre e espontânea.

A bola é um brinquedo universal. Existe em muitas culturas e lugares, de todos os tamanhos e pesos - hoje em dia, até mesmo a bola de pilates se transforma em brinquedo.

As bolas são confeccionadas com diferentes materiais, como borracha, plástico e até de meia. Não importa, é sempre um grande brinquedo para as crianças que poderá ser usado de muitas formas. Um exemplo é uma brincadeira antiga, mas que faz sucesso até hoje e se chama “Ordem”. Com a bola nas mãos, você fica de frente para uma parede, a uns dois metros de distância. Joga a bola contra a parede e a pega de volta diversas vezes, executando os movimentos ditados pelas “ordens” dadas por essa música: “Ordem / seu lugar / sem rir / sem falar / com uma mão / com a outra / em um dos pés / no outro / bate palma / gira / e cai”. Criando assim, movimentos diferentes que se assemelham a uma dança..

E como falar de bola sem lembrar do futebol? Impossível! Esse esporte é puro swing. Quando fazemos a brincadeira de bobinho, que uma pessoa fica no meio e tem que tentar pegar a bola, além de ser muito divertido e engraçado, é um desafio corporal, cheio de movimentos diferentes.

Outra brincadeira corporal divertida e fácil é: ao som de uma música instrumental e uma corda - inspirando-se nas apresentações dos circos- as crianças colocam a corda bem esticada no chão e a partir daí podem enfrentar vários desafios como;

  1. Equilibrar-se em cima
  2. Andar de costas
  3. Andar de lado
  4. Inventar um jeito diferente de andar sobre a corda
  5. Pular de um lado para o outro com os 2 pés sem encostar na corda
  6. Pular usando as mãos
  7. Pular de forma livre, criando movimentos
  8. Dançar em cima da corda
  9. Segurar uma ponta da corda em cada mão e dançar, improvisando como se tivesse asas ou com uma capa

Também podem brincar de:

  1. Pular corda
  2. Fazer cabo de guerra
  3. Dançar em dupla
  4. Fazer estátua quando a música para
  5. Enrolar-se na corda e deitar em cima

Usar o bambolê também é uma brincadeira interessante que faz movimentar muitas partes do corpo como pescoço, barriga, joelho, pé e braço. Pode-se brincar sozinho ou em dupla de mãos dadas e rodar nos braços, devagar ou rápido e até andando.

Existem muitas brincadeiras que podemos fazer utilizando o bambolê como a do coelhinho sai da toca, rodá-lo como se fosse um pião, jogá-lo como se fosse um pneu e correr para pegá-lo, ou segurá-lo com as duas mãos e criar uma linda dança.

E assim podemos observar o quanto o corpo, interagindo com esses brinquedos, constrói uma dança. E brincando com a dança, o corpo vira o próprio brinquedo.