12 dicas para criar filhos leitores

avatar de Vivian Wrona Vainzof
Vivian Wrona Vainzof

Mais do que ler, eu gosto de livro. Me lembro de folhear os encadernados do meu avô, que tinham as páginas amareladas e um cheiro irresistível de papel velho. Meus pais nunca fizeram campanha declarada pela leitura, mas eram leitores vorazes e eu queria fazer igual. Minha irmã é tão tarada pela leitura que lia dentro do chuveiro e eu ficava louca, porque estragava as folhas. Será que ela ainda lê? Eu acharia muita graça nessa loucura se soubesse que sim. Tomara que sim!

Seja por isso ou por outras razões, hoje leio para os meus filhos e torço para que sintam o gosto que eu sentia, o cheiro, que escutem a emoção das palavras escritas. Eu li para eles desde o berço, li na banheira, no carro, no avião e antes de dormir e ainda leio, mesmo que eles possam ler sozinhos.

Ás vezes fico impaciente, entro em marcha atlética para acabar logo, que ridículo. Esses momentos são clímax, eu devia adiar que terminassem um dia. Não sabemos nunca se o que a gente faz como pais é suficiente, ou se seria mesmo necessário, nem sei se saberemos. Será que eles vão ler no chuveiro?

Em todo caso, gostei das dicas do New York Times e compartilho, para que outros filhos também se encantem pela leitura e leiam onde mais tiverem vontade.

  1. Inicie cedo: recém-nascidos podem ouvir você ler qualquer coisa: a receita que você prepara na cozinha, o seu livro de filosofia ou o manual de instruções que você está tentando decifrar.
  2. Leia diariamente: o contato físico da leitura compartilhada é afetivo e ajuda a estabelecer uma associação positiva, amada e familiar com o interlocutor e com os livros, que pode durar a vida toda.
  3. Leia em voz alta: a cadencia do texto e a riqueza de palavras na voz dos pais já impactam muito no desenvolvimento da linguagem dos bebês. Em pessoa, em viva voz e inteiramente presente.
  4. Abra os sentidos: a leitura pode envolver o toque nas páginas, os cheiros, as figuras e o som da voz. Os bebês podem começar a “responder” à leitura fazendo sons com a boca. Pode parecer sem sentido, mas eles estão se comunicando e vocês estão estreitando a relação por meio da leitura.
  5. Valorize a linguagem: a leitura é fundamental para o desenvolvimento intelectual, social e emocional das crianças. Elas internalizam o vocabulário e a estrutura da linguagem, números, animais, conceitos, costumes e todo tipo de informação útil sobre o mundo em que vivem.
  6. Leia sempre: a hora de dormir é um momento estratégico para criar uma rotina de leitura, porque relaxa. Mas não se esqueça que a leitura é válida à luz do dia também, no lugar dos eletrônicos. Não apenas livros, é rico ler para as crianças tudo o que vemos na rua, até quando não está escrito em lugar nenhum.
  7. Encante-se: como pais, podemos redescobrir o gosto pela leitura através de livros infantis. Muitos autores e ilustradores também pensam na audiência adulta quando criam, por isso, entregue-se para o que achar mais sedutor nas livrarias, bibliotecas ou na casa de um amigo.
  8. Respeite: é preciso reconhecer e acolher o gosto dos filhos. Eles podem rejeitar seu livro preferido, assim como você não se emociona com tratores falantes ou outros personagens que eles apreciam muito. É valioso encoraja- los a identificar e expressar o que gostam e são.
  9. Conecte-se: o momento da leitura a dois deve ser prazeroso para todos. Se seu filho não gosta da sua voz de monstro, se ele quiser virar as páginas, ou se demorar numa figura, respeite. Quanto mais satisfatória for a experiência, maior será a associação dessa lembrança com a sensação de prazer e recompensa.
  10. Aceite: não fique impaciente se seu filho te interromper, nem ignore perguntas e comentários. Quando as crianças se empolgam, ficam muito excitadas e não se contêm é sinal de que estão envolvidas. Se achar que isso não está acontecendo, convide-a a apontar alguma coisa na ilustração ou explicar uma passagem, mesmo que seja no meio da página.
  11. Amplie os horizontes: é comum ver crianças “presas” num único livro, brinquedo ou filme pelo qual você não morre de amores. Sem negar a preferência dele, tente apresentar ao seu filho, outras alternativas, mesmo que não estejam no contexto atual da vida dele. Qualquer assunto — geologia, histó ria da arte, outras culturas — podem ser se fazer interessantes num bom livro infantil.
  12. Seja inclusivo: É importante que as crianças se vejam refletidas nos livros, principalmente quando pertencem a uma minoria étnica, mas também é interessante fazer o movimento contrário: mostrar para crianças brancas ou loiras, por exemplo, que as pessoas podem ter o tom de pele e do cabelo de muitos tons. À partir de uma certa idade, as crianças se identificam exclusivamente com protagonistas do seu gênero, mas vale a pena apresentar a diversidade com personagens dos mais variados perfis. O contato com diferenças culturais, religiosas, de estrutura familiar e outras e que coexistem na sua comunidade vão preparar as crianças para viver num mundo plural​

Nota da editora: Na coluna Ler com os pequenos, a escritora Luciana Pinsky dá dicas preciosas de livros infantis.