A diferença entre elogio e encorajamento

avatar de Lia Vasconcelos
Lia Vasconcelos

​A psicóloga norte-americana, Carol Dweck, da Universidade de Stanford, é muito conhecida por causa do seu best-seller, “Mindset – a nova psicologia do sucesso”, mas não é sobre ele que vou falar na coluna de hoje. O que eu gostaria de contar é que ela conduziu uma pesquisa com 400 alunos de Nova York que incluiu a aplicação de quatro provas e chegou a conclusões muito interessantes sobre elogio e encorajamento.

Na primeira, os alunos do 5º ano fizeram um teste de QI simples para a idade. Terminado o teste, os pesquisadores davam as notas e encerravam a conversa com um elogio. Metade deles ouvia: “você deve ser muito inteligente”. A outra metade era parabenizada pela sua atitude e escutava: “você deve ter se esforçado muito para conseguir esse resultado”. O objetivo era dividir o grupo entre “os inteligentes” e “ os esforçados” para ver o impacto da diferenciação no comportamento das crianças.

E o impacto não demorou a aparecer. Na segunda tarefa, os estudantes tinham que fazer uma escolha: um teste simples ou um mais complicado em que eles aprenderiam coisas novas. “Os inteligentes” escolheram o fácil e “os esforçados”, o mais desafiador.

No terceiro teste, bem mais complexo que os anteriores, todo mundo foi mal. Só que “os esforçados” se dedicaram muito mais à resolução da prova, enquanto “os inteligentes” ficaram nervosos e mal conseguiram terminar. A grande surpresa veio na quarta prova, que era muito fácil como a primeira. O resultado: “os elogiados” pelo esforço melhoraram 30% em relação à nota que haviam tirado na primeira prova e “os inteligentes” viram sua nota despencar 20%.

Conclusão de Dweck: “o elogio deve ser dirigido para o processo, e não para o resultado”. Enquanto uma criança elogiada por sua inteligência prefere se manter na sua zona de conforto e tende a se arriscar pouco, uma criança encorajada acredita que, se passou por um desafio, pode muito bem passar pelo próximo, basta tentar.

A Disciplina e a Parentalidade Positovas partem da mesma premissa: uma criança elogiada depende de reforço positivo externo, enquanto uma criança encorajada se nutre internamente de coragem. Dweck chegou à mesma conclusão que Alfred Adler, o pai intelectual da Disciplina Positiva, já havia vislumbrado há muitos anos: elogio não é saudável para as crianças porque cria nelas um vício por aprovação em vez de aumentar sua autoestima. No elogio, o foco de controle é externo (“o que os outros vão pensar?”), enquanto no encorajamento o foco é interno (“no que eu acredito?”).

Portanto, o elogio cria dependência dos outros e o encorajamento, confiança na própria capacidade e nos próprios recursos internos. “Ah, então, não posso elogiar nunca mais?”. Claro que pode! Mas pense no elogio como um doce que, para continuarmos saudáveis, precisa ser consumido em doses homeopáticas.

Exemplos de elogio

  • “Seu desenho é tão lindo!”
  • “Bom menino!”
  • “Você é tão esperta!”
  • “Estou tão orgulhosa de você!”
  • “Você tirou nota 10! Vai ganhar uma grande recompensa!”

Exemplos de encorajamento

  • “Adorei o jeito que você usou as cores. Como as escolheu?”
  • “Obrigada pela sua ajuda!”
  • “Você encontrou uma solução sozinhx!”
  • “Você deve estar orgulhosx de si mesmx!”
  • “Você trabalhou duro, você merece!”

—> Leia todos os textos da coluna Parentalidade Positiva, assinada por Lia Vasconcelos.

por Lia Vasconcelos em colunas, parentalidade positiva.

Lia Vasconcelos é mãe de duas meninas e originalmente formada em Jornalismo e Ciências Sociais. Se encantou com os modelos da disciplina positiva e da parentalidade positiva e se certificou pela Positive Discipline Association (EUA) e pela Escola da Parentalidade (Portugal). Me encontre no @liavasco_educacao ou escreva para liavasco75@gmail.com para informacões sobre workshops.