A importância de um abraço

Vanessa Skilnik

No dia 23 de maio, participei de um evento que reuniu pessoas inspiradoras para contar o impacto do abraço e do afeto em suas vidas e profissões. Divido aqui um pouco do que ouvi.

A Simone Uriartt, Fundadora do projeto Adoção Tardia e filha por adoção, dedica-se a sensibilizar pretendentes à adoção sobre os benefícios da filiação adotiva, com foco especial em crianças com mais de dois anos de idade. Permeando seu relato sobre o projeto, contou sua história como filha adotiva, o reencontro com seus irmãos biológicos e como o amor incondicional de sua família adotiva transformou sua vida. Me emocionei ao ouvir sua história e saber sobre as novas famílias que já se formaram com sua ajuda. Seu trabalho retribui o acolhimento e amor que recebeu, um exemplo de generosidade que contribui para uma sociedade melhor.

A Dra. Karina Weinmann, Neuropediatra, que atua na APAE e no Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, trouxe uma perspectiva mais científica sobre o tema sem perder a ternura. Compreendi que o feto, ainda com 8 semanas, sente-se acolhido na barriga da mãe e desenvolve o tato. O abraço, que simula o ambiente intrauterino, representa os primeiros contatos que o bebê tem com o mundo à sua volta. Ao simular o ambiente intrauterino, impacta o sistema imunológico dos bebês e os tornam menos suscetíveis à doenças. Afeto e amor nos primeiros anos de vida exercem uma influência significativa na fase adulta, tanto na saúde física, quanto na emocional. Até os 16 anos, quando a capacidade de construções neurais (que são a base da inteligência, das habilidades sociais e da essência do ser humano) são mais intensas, as memórias e experiências desta fase são determinantes para o resto da vida. O carinho contribui para o desenvolvimento da cognição, do cérebro, das emoções e das relações sociais. A Dra Karina afirma ser essencial estimular, abraçar e dar referências nesta fase onde as experiências são absorvidas intensamente.

A Luanda Fonseca, educadora parental e facilitadora de diálogo familiares, refletiu sobre os modelos dominantes de parentalidade, que oscilam entre o estilo autoritário “faça o que estou mandando” e o permissivo, onde os pais fazem tudo pelos filhos e evitam que se frustrem a qualquer custo. Estes modelos falham ao colocar limites e estimular a autonomia das crianças, por isto ela prega o caminho do meio, a parentalidade positiva, que traz a criança para o lado e delimita limites através de firmeza e gentileza, que ensina com amor nos gestos e na fala. Faz muito sentido a pergunta que ela deixou ao público: Se o abraço ajuda a aliviar medos, reduz a ansiedade e produz sentimentos de satisfação e felicidade, então porque os pais não usam a eficiente arma do abraço para resolver conflitos com as crianças? A partir de um abraço tudo pode recomeçar.

Estela Renner, cofundadora da Maria Farinha Filmes, partiu da sua experiência como diretora do documentário “ O Começo da vida”, que aborda a importância das relações humanas nos primeiros dias e anos de vida, para falar da importância do acolhimento. Os pais devem promover um ambiente amoroso para a criança atingir seu potencial. O afeto tem poder multiplicador: “A gente é porque o outro é”. Ela destacou que o momento para a infância que conhecemos, com afeto, amor, e carinho, é uma evolução das gerações recentes. Antes as relações com as crianças obedeciam outras regras. O abraço traz a sensação de contorno para a crianças, uma referência para sempre voltar. Lembrou que em tempos de escassez, o afeto e o abraço são recursos abundantes que podem ser usados para se viver melhor. Ouça a a Estela no TEDxSaoPaulo.

A Monica Figueredo, como diretora darevista Pais&Filhos, acompanha de perto o universo da maternidade. Com seu jeito direto e bem-humorado, falou dos mitos, culpas, regrinhas e desafios de uma mãe. Pesquisas mostram que a amamentação e a “perda de paciência” são as culpas mais comuns de uma mãe - quem se identifica? Ela relembrou alguns pontos importantes para exercer a ma/paternidade de forma mais leve: o direito de escolha da sua forma de ser mãe, a necessidade de pegarmos leve com nós mesmas, o policiamento constante para ser uma mãe mais amorosa, a construção de uma necessária rede de apoio e a importância de exercer seu papel sem medo e não se colocar apenas como amiga.

Adorei ouvir pessoas diferentes e refletir sobre temas que impactam nosso jeito de enxergar as crianças e nosso papel como educadores.

* O evento foi oferecido pela marca Huggies.