A teoria de tudo - homenagem de uma mãe à Stephen Hawking

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Vivian Wrona Vainzof

As águas de março deram uma trégua para a capital paulista, o céu não ficou tão negro antes do fim desse dia e pudemos poupar os sapatos e o penteado. Mas uma escuridão pairava, pelo menos para mim. Eu ainda não tinha lido a notícia da morte de Stephen Hawking, quando senti um buraco negro se abrindo aqui dentro. Sentada no sofá da sala, fui afundando num breu criativo que não me deixava escrever. Os assuntos mais falados na mídia hoje devem ter sugado a luz de alguma ideia que eu achei que teria. Mas não tive. Se as matérias e antimatérias, como vim a saber, evaporam nessa condição, entendo que a inspiração de uma pretensa escritora possa sofrer algum tipo de reação física ou química dessa natureza…. Será? Quis saber mais.

Hawking morreu na madrugada desta 4ª feira, terminando a sua jornada em busca de respostas sobre o universo, o tempo, a galáxia, os átomos, a teoria de tudo, mas me interessei mais pelo vislumbre dos segredos mais profundos da criação. É sobre o que reflito quase todos os dias, de alguma forma. De onde viemos e para onde estamos indo, o que houve antes, são algumas das principais preocupações de uma mãe, mesmo quando não me refiro apenas às idas da escola ao dentista. Fui lendo sobre as estrelas e os planetas que vivem rodeados de outros satélites ou luas que orbitam à sua volta de forma imperfeita, tão mães em torno dos filhos… Porque “sem imperfeição, você e eu não existiríamos”, não é, Hawking?

Mais de perto, o físico foi ganhando ainda mais a minha simpatia. Em Uma breve história do tempo, um capítulo todo foi dedicado a buracos de minhocas e como eles talvez possam ser usados para uma viagem no tempo! O que isso significa para a ciência eu não consigo argumentar, mas para os meus filhos isso é alimento supersônico para a imaginação.

Por essa e por outras descobertas minhas recentíssimas sobre dimensões espaciais e outras reflexões cientificas, gostaria de agradecer a Stephen Hawking, como uma última homenagem (e primeira também…). Repensar a ideia de que o tempo não é absoluto, por exemplo, é libertadora. Então era verdade que eu estava esperando há horas as crianças saírem do balanço quando eles puderam brincar tão pouco…

Continuo matutando sobre o universo ser completamente contido em si mesmo, como são as mães, sem início nem fim. Sobre a singularidade nua, nos buracos negros, como pontos no espaço que refletem a luz e por isso atraem os olhares de fora, como são os filhos. E sigo tentando desvendar outros mistérios das dinâmicas que movimentam o meu universo.

Obrigada, Hawking.