Adoção -  meu filho chegou!

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Ana Davini

Perca os preconceitos. A adoção tem desafios muito parecidos com os da paternidade biológica. Bebês se comportam como bebês, adolescentes como adolescentes, e todo mundo corre o risco de nascer com ou desenvolver doenças.

As questões que mais preocupam os pais adotivos são como contar para o filho sua história de vida e se ele vai se revoltar algum dia por ter sido deixado pela família de origem. Devo esconder ou contar que foi adotado? Devo contar que sua mãe tinha problemas com drogas? Se sim, apresento-a como irresponsável ou doente? Meu filho sofrerá preconceitos? Vai querer ir atrás dos parentes?

Dizem os psicólogos que a mágoa pelo abandono pode ser anulada ou minimizada com a verdade. Ou seja, os pais adotivos têm o dever de contar para a criança - se souberem - como ela nasceu, quem eram seus pais biológicos, seus nomes, etc. E se a mãe biológica for uma viciada, é necessário não apresentá-la nem como vilã e nem como vítima. O melhor é afirmar que ela estava doente e fez escolhas que a levaram para o caminho errado e por isso não pôde ficar com o filho.

Se apesar de tudo a criança ou jovem decidir conhecer seus pais biológicos, tem este direito a partir dos 16 anos e os pais adotivos devem apoiar. Na maioria das vezes, tanto o fórum quanto a maternidade possuem registros que serão úteis na busca, mas vale ter um psicólogo sempre por perto, acompanhando o caso, já que há riscos de novas rejeições e até de descobrir que os familiares estão presos ou mortos.

Muitas vezes a criança depara-se com outra questão: o nome da mãe biológica está na certidão de nascimento, mas não o do pai. Estima-se que 3,5 milhões de brasileiros façam parte deste quadro, tão significativo que levou o Conselho Nacional de Justiça a criar em agosto de 2010 o programa Pai Presente, para estimular o reconhecimento à paternidade, garantido pela Constituição Federal de 1988.

Por fim, outra dúvida que surge nos pretendentes é se o filho adotivo sofrerá preconceito. Impossível saber e muito pouco relevante. Qualquer criança está sujeita a bullying, seja por ser magra ou gorda, alta ou baixa, branca demais, parda ou negra. O que vale é investir diariamente na auto-estima do seu filho, mostrar que o mundo é repleto de pessoas diferentes, e ensiná-lo a se defender. Além disso, muitas escolas estão preparadas para lidar com a questão hoje em dia. Escolha uma que replique os valores que você ensina em casa e que preze pela diversidade.

Todas as apreensões, entretanto, são deixadas para trás quando você conhece seu filho. Neste momento todo o resto deixa de fazer sentido. Nos últimos anos, tive a oportunidade de conhecer as mais diferentes histórias de adoção, contadas pelos mais diferentes tipos de pessoas – novas ou velhas, casadas ou solteiras, hetero ou homossexuais -, mas todas com um ponto em comum: o total encantamento por seus filhos adotivos. É verdadeiramente um amor incondicional e imenso.

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Leia todas os textos assinados por Ana Davini na coluna sobre adoção.