Como criar filhos leitores

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Luciana Pinsky

Você quer que seu filho leia livros? Mas em um mundo com tantas outras possibilidades, será que livros (ainda) têm apelo? Sem dúvida. Pois toda criança gosta de livro. Mas… como fazer para que este gosto não se perca por aí e fique tão bem escondido que fique difícil de reencontrá-lo? O jeito é alimentá-lo. Sempre. Lá vão dez dicas:

  1. Leia livros. Quer que seu filho leia livros, mas você jamais toca em um? Sabemos que as crianças aprendem (e desaprendem) muito com exemplos, especialmente, na primeira infância, dos pais e cuidadores próximos. Leia regularmente e mostre que esse é um lazer importante para você. A depender da idade da criança, você pode até comentar o tipo de livro que está lendo e por que o considera interessante.
  2. Tenha livros. E os deixe em lugares acessíveis às crianças. Parece óbvio, certo? Não precisa ter milhares de obras em casa, mas como incentivar seus filhos a ler se eles não têm livro algum por perto? Os livros precisam estar à disposição. Evite deixá-los escondidos em um depósito ou em prateleiras só alcançáveis com banquinhos ou escadas. Livros precisam estar perto de seus leitores. Sempre.
  3. Faça seu filho participar. Ele pode escolher o livro a ser lido, ele pode virar as páginas, ele pode ler alguma parte, a depender da idade dele. Mas a sua leitura precisa inclui-lo.
  4. Vá a lugares onde haja livros. Frequente bibliotecas e livrarias. Deixe as crianças folhearam, escolherem, se divertirem. Livros são lúdicos. Mostre isso aos pequenos.
  5. Conte histórias. Mesmo que não esteja em livros. Faça com quem gostem do enredo, da trama, do suspense. Atice a curiosidade. Quem gosta de boas histórias contadas também vai gostar de boas histórias que vem dos livros.
  6. Leia para eles com prazer. Sim, não basta ler para as crianças. É preciso ler com vontade. Capriche na dicção, não leia rápido demais, perceba se seu filho está acompanhando a história. Se achar que é o caso, faça algumas perguntas, esclareça algumas questões (inclusive de vocabulário, há muitas palavras a que ele será apresentado por meio dos livros).
  7. Faça da leitura para eles um hábito. Há algum horário em que você pode ler para seu filho diariamente? Ao acordar? No meio da tarde? Antes de dormir? É claro que não é necessário se prender a um único horário, mas é interessante estabelecer um hábito e um hábito prazeroso. Faça isso e certamente eles vão pedir (ou mesmo exigir) a leitura diária.
  8. Continue a ler com eles mesmo depois da alfabetização. Ah, mas ele já é alfabetizado, então por que ele não lê sozinho? Sim, você deve incentivá-lo a fazer isso. No entanto, o tipo de livro que ele consegue ler sozinho não tem a mesma complexidade daqueles que você já pode ler para ele. Por exemplo, ele não consegue ler Alice no país das Maravilhas aos 7 anos, mas se você fizer isso, ele pode entender e gostar. Uma ideia é você ler com ele. Pedir, por exemplo, para ele ler um ou dois parágrafos do livro e você ler o resto. Ou pedir que ele escolha um livro para ler para você e outro para você ler para ele. Enfim, é excelente que ele tenha tido uma vivência intensa com livros até a alfabetização. Por que parar agora?
  9. Mostre opções. Livros podem ser tristes, alegres, inventivos, lindos, questionadores, poéticos, assustadores, aventureiros, estranhos… eles podem contar histórias de princesas, ogros, crianças, velhos, bichos e até de coisas ou coisa alguma. Há clássicos e lançamentos. Livros traduzidos (de diversas partes do mundo) e autores nacionais. Apresente diversas possibilidades aos seus filhos e sinta o que mais os encanta. Se eles forem ler sozinhos, confie em suas escolhas, mas também sugira algum título que achar bom. E se sentir resistência inicial, procure ler junto um pouco e mostrar por que acha que aquele livro pode interessá-lo.
  10. Atenção ao mundo dos eletrônicos. O filho não para quieto no restaurante: dá-lhe celular. Ele acorda cedo e para conseguir dormir mais, os pais liberam o tablet logo cedo por tempo indeterminado. Quando se dão conta, os filhos estão ficando horas todos os dias em frente a telas. Os eletrônicos são fascinantes e trazem inúmeras possibilidades, não apenas de lazer, mas também de aprendizagem. Eles são tão fascinantes, porém, que podem ocupar tempo demais na vida do seu filho, caso o uso seja livre. E qual o problema disso? Bom, há inúmeros estudos (por exemplo, neste livro aqui que mostram a importância da leitura profunda e como os circuitos do cérebro formados para isso podem se enfraquecer caso não sejam estimulados. O tipo de atenção que, em geral, os eletrônicos solicitam do usuário pode atrapalhá-lo na hora de se concentrar para ler um livro. Para que seu filho se torne um leitor de livros – e se mantenha assim – ele precisa não somente ser bem apresentando a esse mundo, mas ser seguidamente estimulado a lá permanecer. Não deixe que ele associe apenas eletrônicos a lazer e livros a obrigação. Se isso acontecer, o prazer da leitura diminui e, com ele, o estímulo interno de prosseguir leitor de livros.

Veja todas as dicas de literatura infantil da Luciana Pinsky em Ler com os pequenos.