Como criar seus filhos e filhas no mundo das artes

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Maria Manuela Moog
Cartoon de Lynda Barry
Cartoon de Lynda Barry

Você ama arte. Acredita que arte é essencial para o desenvolvimento das crianças, deseja do fundo do coração que o seu filho ou sua filha se interesse por arte. Mas ora! Se você mesmo não consegue entender o que é arte, como apresentar para seus filhos esse complexo e intrigante mundo?

A arte, por ser ao mesmo tempo sensível e idealista, desempenha um papel importante no desenvolvimento do indivíduo. Torna-o mais sensível e ao mesmo tempo lapidando um senso crítico sobre as coisas ao seu redor. Porém, é preciso estar atento para que as artes, seja o teatro, a literatura, as artes plásticas ou qualquer outra, não pareça algo difícil ou enfadonho para os pequenos.

Soa como uma tarefa impossível se o olhar para arte for de distanciamento, como algo que apenas intelectuais ou “pessoas cult” conseguem acessar. Assim, muitas vezes delegamos para as escolas ou cursos extracurriculares a missão de inserir mais arte na vida das filhos.

Não há nada de errado com essa escolha, porém, meu desejo é ajudar a desmistificar este mundo das artes para, quem sabe, contribuir para que você possa desfrutá-lo mais e melhor e em companhia dos filhotes.

Assim, minha proposta nesta coluna é trazer algumas reflexões sobre as diferentes formas de manifestações artísticas a partir da percepção. A ideia de se aproximar das coisas pela percepção vem de uma corrente da filosofia chamada ‘Fenomenologia’ a qual defende que o que é primeiro no conhecimento não é o conceito e sim o mundo. Mas para quê me aprofundar em teorias se o desenho da cartunista Lynda Barry já disse tudo, não é mesmo?

Não precisa ser uma mãe ou um pai expert no assunto, mas precisa estar aberto para a experiência! O desafio está em re-encontrar um contato ingênuo com o meio, devendo procurar o significado das coisas por como elas aparecem, retornar às coisas mesmas. Ou seja, acaba sendo uma tarefa mais fácil do que parece já que as crianças não precisam resgatar mas apenas deixar fluir essa ingenuidade no contato com as coisas. O trabalho dos pais é quase como o de curadores, que pincelam entre tantas opções aquelas que acreditam ser as mais legais. E para isso, estamos aqui em rede! Bora aí !

por Maria Manuela Moog em colunas, Arte e Percepção.

Manuela Moog é graduada em Artes Cênicas e pós-graduada em Arte e Filosofia pela PUC-Rio. Se encantou pelo universo artístico aos sete anos quando interpretou um doende na peça de teatro da escola, e desde então é uma operária da arte. Diretora, dramaturga, atriz e curadora. Faz parte da Cia.pontoDoc, companhia de teatro engajada em pesquisas artísticas socialmente relevantes. Acredita que pessoas interessadas são pessoas interessantes e a melhor forma de absorver experiências é pelo afeto. Por isso, procura criar e fomentar arte em todas as esferas. Instagram @manuelamoog