Deixo ou não meu filho voltar para a escola?

Bernardo Wagon

Após meses de suspensão das aulas presenciais devido à pandemia do coronavírus, o Governo do Estado de São Paulo planeja a retomada das escolas em 3 fases:

  1. 8 de setembro com no máximo 35% dos alunos (atrelados a fase amarela do Plano SP);
  2. 70% dos alunos (necessário que ao menos 10 das 17 das Regionais de Saúde do Estado tenham permanecido por 14 dias consecutivos na fase verde, restrições mais brandas do Plano São Paulo);
  3. 100% de alunos (necessário que 13 das 17 Regionais de Saúde estejam por 14 dias na fase verde).

A retomada às escolas, sendo um ambiente de interação e aglomeração, gera insegurança entre pais, professores e diretores. Compreensivelmente os pais estão muito receosos e com mil dúvidas.

O tema está presente nos grupos de pais nas redes sociais e muitas vezes opiniões divergentes levam a discussões mais calorosas. A situação não é isenta de risco, e devemos avaliar os fatos e as diferenças de faixa etária.

O que já sabemos no momento:

  • Crianças até 10 anos não pegam a COVID-19, ou são assintomáticos, ou tem carga viral muito baixa, embora não totalmente esclarecido
  • Existe relativamente poucos casos relatados de infecção causada por COVID-19 em crianças em comparação com o número total de casos na população em geral
  • Entre as crianças e adolescentes entre 10-19 anos que identificam a contaminação, apenas 21% apresentaram sintomas
  • Crianças até 2 não podem usar máscaras, pois há risco de sufocamento e não conseguem lidar.
  • Entre 2 e 7 anos, as crianças já podem usar máscaras, mas ainda não tem maturidade para entender o distanciamento e vão à escola para socializar.
  • Acima dos 7 já entendem que não podem compartilhar lápis, caderno, objetos pessoais, mas é difícil controlar a vontade de trocar, tocar, abraçar e brincar
  • Outros países voltaram atrás após a reabertura das escolas, pois como elas são portadoras assintomáticas da doença, disseminaram a infecção e aumentaram os números de casos

Recente estudo da Universidade de Granada alerta sobre os riscos estimados da retomada das aulas em setembro na Espanha: colocar 20 crianças numa sala de aula implica em 808 contatos cruzados em dois dias.
Pesquisas sobre insegurança e medo dos brasileiros mostram que 42% por cento dos brasileiros estão muito inseguros e com medo. O Brasil tem o maior índice de ansiedade na pandemia entre 30 países.

Não podemos esquecer que crianças com diabetes, doenças reumatológicas, imunológicas, respiratórias e tratamento oncológico, devem evitar a escola.

As medidas a essenciais a serem adotadas pelas escolas incluem álcool gel abundante por todos os cantos, aferição a temperatura na entrada, manutenção de janelas e portas abertas para arejar, lanche trazido de casa, horário de recreio alternado e talvez divisórias acrílicas entre as carteiras.

Infelizmente, não há respostas comprovadas. As decisões são de foro íntimo e dependem única e exclusivamente dos pais, que devem seguir as orientações das escolas, profissionais de saúde de sua confiança e considerar as condições específicas de sua família (como convivência com pessoas de grupos de maior risco).

O mundo enfrenta dificuldades em lidar com a Pandemia, mas temos novidades a todo dia.