Desenho infantil em tempos de isolamento e incertezas

Maria Cristina Labate Mantovanini

​Desenhar para a criança é uma forma de expressão.

Antes mesmo dela se alfabetizar, já usa o desenho para comunicar ideias, pensamentos e, principalmente, sentimentos.

O desenho infantil se desenvolve ao longo do crescimento da criança, começa como rabiscos, as famosas garatujas, até evoluir para o desenho figurativo.

Os desenhos infantis funcionam como uma espécie de narrativa. Na maior parte das vezes contém histórias. Se a criança for indagada por um adulto em quem ela confia sobre o que aquele desenho representa, sempre haverá algo a ser contado sobre o que está no papel.

Na ludoterapia o desenho é um instrumento precioso para acessar os pensamentos e afetos mais profundos das crianças.

As vezes o desenho revela situações de sofrimento psíquico impostas à criança. Pelo desenho a criança nos dá importantes pistas a respeito do que está acontecendo na sua vida mental.

O espaço de brincadeira de uma criança, também, pode ser interpretado como uma forma de desenho. Ao entrar no quarto do seu filho/a, depois dele/a ter permanecido lá se ocupando com seus brinquedos, o cenário construído para a brincadeira é uma forma de expressão plástica tanto quanto o desenho.

Toda criança sabe, pode e deve desenhar, basta ser estimulada e encorajada para fazê-lo.

Em tempos de isolamento e incertezas, os desenhos podem ser propostos após a leitura de alguma história. Pôde-se propor à criança que faça um desenho do personagem ou da parte da história de que mais gostou.

Se a criança estiver muito angustiada com o que estamos vivendo, o desenho pode ser uma forma de expressar tal angústia, permitindo aos pais abrirem um caminho para conversar sobre os seus sentimentos.

Desenhar é um recurso fácil que pode surtir efeitos tranquilizantes e restauradores, sempre e especialmente nesse momento tão difícil pelo qual todos nós estamos passando.