Dica de livros: Sherlock Holmes

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Luciana Pinsky

​Por que um detetive inglês do século XIX continua com sua fama intocada no século XXI? Talvez por sua obstinação, talvez por seus métodos peculiares um tanto distantes das forças oficiais; o que nos atraia, que sabe, seja a sua personalidade exótica, que releva gostos um tanto bizarros. Tudo isso é interessante, mas o imbatível mesmo é como ele pode ver com clareza o que para os outros é puro mistério. Mesmo que ao longo das histórias ele sempre conte como chegou a tais conclusões – afinal, Dr. Watson é tão curioso quanto a gente e ele que narra os feitos do amigo – nunca conseguimos usar seus métodos na história seguinte.

Por exemplo, ele nos revela que “Quando tiver eliminado o impossível, o que fica, por mais improvável que seja, deve ser verdade”. Mas como distinguir o impossível do improvável? Para ele, uma mistura de evidências (que não enxergamos) com deduções (a que não chegamos) traz a resposta. A nós, fica o gostinho de seguir seu rastro.

​Não é incomum clientes baterem em sua porta com casos impossíveis. Por vezes é a própria polícia que o procura, desorientada, como em Um estudo em vermelho, que alterna Waltson como narrador (e lá ele conta como conheceu Sherlock Holmes) com um longo texto em terceira pessoa que se passa no interior dos Estados Unidos. O leitor terá de ser paciente para entender qual a ligação com as mortes em Londres e a vida do senhor e sua filha em uma comunidade norte-americana. Mas vale à pena. Afinal, talvez só para Holmes, “os crimes maiores tendem a ser mais simples, pois quanto maior o crime, mais óbvio costuma ser o motivo”. Mas difícil não concordar que “a vida é infinitamente mais estranha do que qualquer fantasia concebida pelo homem”.

​Muitos detetives surgiram, histórias de mistério continuam encantando, com tramas mais atuais e tecnologias modernas. Mas Holmes continua indispensável. Como todo clássico, por sinal.

​Recomendável a partir dos 10 anos – talvez ainda em leitura compartilhada para explicar termos e contextualizar as histórias.

​Serviço

​(como os livros da coleção estão em domínio público, há diversas ofertas no Brasil, por vezes obras reunidas, outros apenas os títulos mais conhecidos. Abaixo um exemplo de uma edição bem cuidada)

Um estudo em vermelho

Editora Zahar (grupo Companhia das Letras)

Autoria: Arthur Conan Doyle

Tradução (do inglês): Maria Luiza X. de A. Borges

192 páginas

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