Era uma vez um passeio…

Claudia Olivieri

Lendo o jornal dia desses me deparei com a notícia de que mais uma grande livraria pode fechar a qualquer momento.

Confesso que uma tristeza imensa tomou conta de mim por vislumbrar que, talvez, num futuro não tão distante, um de meus passeios preferidos possa acabar.

Minha paixão pelos livros começou ainda muito pequena, na casa da minha avó Eunice, mãe da minha mãe. Vovó era daquelas mineiras que encantavam a todos. Tinha um jeito manso de falar, fazia doces como ninguém e era uma conselheira como poucas. Sua diversão? Os livros! Apesar da pouca chance de estudar quando criança, sempre estava com um livro nas mãos - seu tema preferido era a espiritualidade. Ela adorava uma boa história e fazia questão que os netos também se interessassem pela leitura.

Pouco a pouco essa paixão foi tomando conta de mim e, assim como minha avó amava conferir os novos títulos numa banquinha que volta e meia se instalava numa praça perto de casa, visitar livrarias tornou-se uma diversão. Na adolescência, sempre que podia, corria em busca de novidades! Mas não bastava apenas ver a capa ou gostar do autor. Meu ritual consistia em sentar com três ou quatro títulos, ler as primeiras quatro ou cinco páginas de cada um deles e só então decidir qual história tinha me fisgado. O tempo passou e hoje acho graça vendo minha filha fazendo o mesmo - para meu imenso orgulho minha pequena é uma leitora voraz, uma vitória em tempos tão conectados.

A pergunta que me faço é: o que será dos nossos passeios? Meu, da minha filha e de tantos outros que, assim como nós, ama estar entre autores e capas, com os livros no colo?