Fábulas por telefone

avatar de Luciana Pinsky
Luciana Pinsky

​O pai, espécie de caixeiro viajante, só passa uma noite por semana em casa. Mas não falha: nas outras seis noites liga para sua filhinha e conta uma história antes dela dormir. E que belo contador de histórias ele é. Há personagens que se aparecem em mais de uma fábula e há referências a outras histórias do autor. Mas todas podem ser lidas de forma independente. São situações diferentes, tempos próprios, enredos sempre a milhas do óbvio. Há, enfim, histórias para diversos gostos, mas algumas são primorosas. Como “A estrada que não ia a lugar nenhum”, na qual um menino não aceita a ideia consensual da cidade que uma de suas estradas leva para “lugar nenhum”. Afinal, para ele, é claro que existem mais lugares que estradas. E, portanto, não poderia haver uma estrada que não chegasse a lugar algum. E assim que cresceu um pouco não teve dúvidas: arriscou-se pela tal estrada. Se não conto aonde ele chega para não perder a graça, revelo apenas que ter ideias próprias é, afinal, compensador. Um livro precioso, que faz boa companhia com os demais do escritor italiano Gianni Rodari que já resenhei aqui (histórias de brincar / alice viaja nas história)

Fábulas por telefone
Editora 34
Autoria: Gianni Rodari
Ilustrações: Bruno Munari
Tradução (do italiano): Silvana Cobucci Leite
224 páginas
R$ 49