Finlândia com crianças: uma escala que acabou virando uma experiência mágica

avatar de Elisa Roorda
Elisa Roorda

Chegamos no nosso quinto país, Finlândia. Não tínhamos planos de vir para cá, mas o nosso voo para o Japão saia de Amsterdam e necessariamente fazia uma escala em Helsinki. E já que teríamos que descer neste país, por que não ficar mais um pouquinho e explorar? Assim fizemos. Mudamos as datas das passagens e nossa escala virou uma semana nesse país nórdico.

Nessa mesma época meus pais estavam viajando pela Islândia e Groenlândia para caçar a aurora boreal e, inspirados por eles, fizemos uma busca e descobrimos que ao norte do país, na Lapônia, teríamos grandes chances de ver as “northern lights”, que é como eles chamam a aurora boreal por aqui. Tínhamos um desafio maior porque com três crianças, sendo que um tem só um ano de idade, fica difícil viajar para lugares muito inóspitos e sair caçando luzes no céu no meio da madrugada com temperaturas negativas. Descobrimos então que dava para pegar um voo de uma hora até Rovaniemi e ficar em um hotel com cabanas no meio da floresta com um janelão de vidro para ver a aurora lá de dentro, no quentinho.

A chegada a Rovaniemi foi dura pra mim. Eu já estava cansada de mudar tanto de casa e de país. E estava frio, e nossa cabana era linda mas minúscula e a expectativa de descansar em um hotel bacana foi por água abaixo. O Martin não entendeu a falta de espaço, as roupas pesadas, o restaurante elegante do hotel e a falta de liberdade de poder sair por aí as sete da manhã quando estava começando a clarear. Eu desmoronei de verdade pela primeira vez na viagem, ali na frente de todo mundo. Eu que sempre me seguro tanto, organizo tanto, calculo tanto, me preservo tanto, não consegui segurar desta vez. E esse foi só o começo.A partir daí mergulhei em um processo meu profundo. Foi difícil sair de lá. E foi difícil me conectar com aquele lugar assim logo de cara.

Então de repente, em uma noite, o céu começou a ficar com uma mancha branca muito forte. Ficamos olhando e em alguns minutos aquela mancha virou uma luz verde dançante no céu! Ela ficava mais verde em alguns momentos e em outros ficava rosa e deu um show pra gente! Era noite, estava frio, e não tivemos a menor dúvida: nos embrulhamos em uns cobertores peludos e corremos para o terraço. Lá ficamos, os cinco, juntos e embrulhados, olhando aquela magia da natureza. Não dá pra colocar em palavras o que é viver isso. Tem que sentir. É mágico e impressionante. Um sentimento profundo de conexão com o Universo. E foi aí que voltei do meu mergulho. Me conectei com aquela natureza fria e diferente e me abri para tudo o que ela oferecia.

No dia seguinte saímos fazer trekkings pelas florestas e tudo parecia mais leve. Vimos renas, caçamos cogumelos e perdemos completamente o controle quando encontramos aqueles vermelhinhos com bolinhas brancas iguais aos de desenho animado. Finalmente apreciei a sauna, que o Flavio já vinha fazendo desde o dia que chegamos, comecei a acender o fogo na nossa cabana, experimentei todos os mil tipos de berries e iogurtes que eles ofereciam no café da manhã do hotel, subi em um observatório que tinha no meio da floresta perto da nossa cabana e comecei a ver de verdade todas aquelas casinhas de duendes que as meninas me mostravam na floresta. A Lapônia é um lugar realmente mágico e senti isso quando finalmente me entreguei.

As meninas acharam muitas “pedras preciosas”, juram que viram cogumelos com mordidas de duendes, pegaram semente de pinheiro pra plantar no jardim da vovó e escolheram as folhas mais bonitas para secar no diário que carregam com elas.

No último dia fomos na Vila do Papai Noel, porque descobrimos que Rovaniemi é onde fica o “escritório” dele e onde ele recebe as cartas do mundo inteiro. Dá para ver as cartas que ele recebe, as renas que puxam o trenó, dá pra cruzar o círculo polar ártico que passa logo ali e dá até para ver o próprio Papai Noel. Mas esta parte pulamos. Elas já estão grandes, já sacam quando ele tem uma barba de mentira mesmo que bem feita, então eu não estaria fazendo um favor a elas.

Acredito que não existe nada mais mágico do que imaginação de criança e não me sinto no direito de tirar isso delas. Que elas vivam com esta magia até quando quiserem! Então elas foram embora felizes, com a certeza de que viram duendes na floresta, de que viram o papai noel em um dia que fizemos um trekking e cruzamos com um senhor que parecia ele mesmo (juro!!), com as pedras preciosas que encontraram e com o presente que ganharam dos céus.

Partimos rumo a Helsinki, para dois dias explorando a cidade, antes de deixar oficialmente o ocidente e embarcar para o Japão. Helsinki é uma cidade muito agradável de caminhar, tudo fica pertinho e demos sorte com o tempo. Foi uma passada rápida, mas gostosa.

Deixo aqui embaixo dicas e mais algumas histórias da Lapônia e de Helsinki.

LAPONIA

  • Rovaniemi: Tem um site oficial da cidade com todas as dicas de programas em cada estação do ano. Os programas mudam muito já que no verão tem luz o tempo todo (dia e noite) e no inverno fica escuro o tempo todo. E parece que na época do Natal a cidade fica realmente cheia.
  • Artic Tree Hotel e Santa Park: Este é o hotel que ficamos. Tem várias outras opções que também parecem bacanas, mas este foi o que achamos com um bom custo benefício na última hora. E foi muito bacana mesmo! Logo ao lado tem o Santa Park, que parece ser uma terra encantada do Papai Noel, mas que só funciona na alta temporada então não conhecemos. Deixo aqui o site para quem se interessar.
  • Santa Claus Village: Esta é a Vila do Papai Noel. Tem programas bem bacanas e outros mais comerciais. Vale dar uma pesquisada antes pra ver o que mais atende a família e não estragar a mágica dos pequenos.
  • Parques para caminhar: Caminhamos muito na floresta ao lado da nossa cabana do hotel que era lida e ficava logo ali do lado. Um dia resolvemos variar e fomos para o Vaattunkikongas. Parque lindo, com trilhas de madeira para caminhar e um rio grande e bonito. Nossa diversão neste dia foi encontrar vários tipos de cogumelos. Além destes, tem vários outros parques próximos, mas que não tivemos a oportunidade de explorar.
  • Ranua Zoo: Um dia dirigimos por uma hora até o Ranua Zoo, um zoologico de animais do ártico. Um zoologico como todos deveriam ser: somente com animais da região, todos no seu habitat natural e com muito espaço, cem cenários e sem show. A vida selvagem como ela é. Foi emocionante ver o urso polar, as impressionantes corujas e todos os tipos de pássaros e renas. Na saída tem um parquinho para os pequenos e um café para quebrar um galho no almoço ou lanche da tarde.
  • Sauna: Os finlandeses que inventaram a sauna, então não é de se espantar se todas as casas e cabanas tiverem uma sauna, mesmo que pequena. Nossa cabana tinha uma pequena sauna, mas não contente só com aquela, o Flavio foi atrás de uma verdadeira experiência finlandesa. Do lado do nosso hotel o pessoal da Happy Fox tem uma sauna na beira do rio Ounas Joki. Ele foi até lá no fim de tarde, fez uma sauna e mergulhou no rio sete vezes! Parece que foi bom ;-)

HELSINKI

É uma cidade diferente das últimas que vimos. Já estamos quase no leste europeu e as construções tem uma influência russa. Os prédios são altos, imponentes, muitas vezes sem graça. Mas ela também tem seu charme. Encontramos muitas lojas e cafés lindos e descolados na parte debaixo dos prédios e aí pudemos apreciar o tão conhecido design finlandês. Tivemos um dia de sol e aproveitamos para passear pela costa. Saímos do apartamento lindo que ficamos no bairro Ullanlinna e fomos andando até o mar. Seguimos caminhando até o Parque Kaivopuisto e foi difícil de tirar as crianças de lá. Só conseguimos com a fome mesmo! Era perto do almoço então seguimos até o Old Market Hall, onde almoçamos muito bem e ainda compramos delícias para depois. Seguimos até a Uspenski Cathedral, que nos chamava a atenção de longe com suas torres douradas, e as crianças aproveitaram o parquinho logo ali do lado que era super bacana. Depois voltamos a pé pra casa e no caminho paramos na Helsinki Cathedral e em um dos vários cafés charmosos que se escondem naqueles prédios enormes.

No dia seguinte choveu, então nosso único programa foi ir até o jardim botanico, mas não valeu muito a pena depois da nossa experiência em Copenhagen. As crianças pediram para voltar pra casa e passaram o resto do dia desenhando.

Acompanhe a experiência pelo mundo da família da Elisa na nossa coluna de Viagens.