Coronavírus: guia de sobrevivência para o isolamento familiar

Vanessa Skilnik

Se você ainda não teve a rotina interrompida pelo coronavírus (COVID-19), terá em breve. Em meio à confusão que a situação gera, adorei ler o artigo recente da jornalista Celina Ribeiro para o The Guardian. Ela preparou um Guia de sobrevivência para o isolamento familiar, com base em conversas com famílias de países onde a quarentena é oficial, como na Itália, e também com especialistas.

Para ajudar as famílias a se prepararem e a sobreviverem ao período de isolamento (e um ao outro), inclui aqui algumas dicas baseadas no artigo e outras fontes. Sugiro a leitura completa pelo link.

Alinhe as expectativas

Lea Waters AM, professora de psicologia da Universidade de Melbourne e especialista em parentalidade, sugere iniciar o isolamento elaborando um contrato familiar: “Tenha uma discussão: quais você acha que serão os maiores desafios? Quais as capacidades de cada membro da família e como cada um pode colaborar?”. Ela acredita que antecipar problemas, discutir preocupações e definir o papel que cada pessoa pode ser útil.

Seja sincero com as crianças

É importante que os pais ouçam, sintam empatia pelos medos de seus filhos e falem com sinceridade sobre a situação de maneira apropriada à idade. Dar aos pequenos uma sensação de controle, como reforçar os hábitos de higiene pessoal, também os acalmarão. Os adultos devem evitar a ansiedade mantendo a perspectiva e buscando informações de fontes confiáveis. É importante que as pessoas sejam abertas sobre o que estão passando, para reduzir qualquer possível estigma ou constrangimento associado à situação.

Organize uma rotina dentro de casa

Manter uma rotina, preferencialmente mais próxima da normal, é importante para as pessoas enxergarem um ponto final e não enlouquecerem. Inclua as atividades que a escola envia e ensine o conteúdo sugerido. Intercale com outras atividades divertidas se preparando com jogos, artigos para artesanato, livros e ingredientes para novas receita (confira abaixo algumas sugestões *). Considere conceder mais tempo de tela do que o normal (sem abusos!). Mantenha um plano de dados em casa e outro de dados móveis como backup.

Mexa-se

Segundo o Dr. Carly Johnco, psicólogo da Sydney’s Macquarie University, manter-se fisicamente ativo é fundamental para melhorar o humor: “Frustração e tédio podem surgir quando as crianças não estão fisicamente ativas”. Valem ideias criativas de exercícios, como montar uma pista de obstáculos no corredor do apartamento ou jogar basquete e futebol no quintal.

Cumpra tarefas

Sentir que algo foi realizado durante um período de isolamento será importante para todos. Inclua tarefas escolares e domésticas, como organizar os brinquedos e separar roupas para doação. Também encontre tarefas familiares, como reorganizar os móveis da casa, montar um quebra-cabeça gigante, etc.

Respeite o espaço do outro

Segundo Johnco, “Pode ser difícil para as famílias que estão acostumadas a ir para suas próprias atividades serem forçadas a esse período intenso. É por isso que, quando você está de férias em família às vezes vê crianças brigando - elas não estão acostumadas a ficar no mesmo espaço”.

Respeite o tempo de cada um sozinho e aproveite para criar ou reativar rituais familiares, como uma refeição familiar, uma nova receita em que as crianças se envolveram na preparação.

Mantenha os contatos sociais (à distância)

Outro componente crítico para o bom estado mental é sentir-se conectado aos outros, algo mais fácil com a tecnologia ao nosso lado. Os adultos podem reservar um tempo para amigos nas mídias sociais e por telefone e buscar apoio social recíproco, procurando saber se os outros estão bem.

As crianças estão acostumadas a ambientes altamente sociais e também precisam se conectar com os amigos, seja via redes sociais para crianças mais velhas ou em vídeo chamadas com amigos e familiares.

Restrinja, com bom-senso, o contato com os idosos

Uma dica pessoal minha, pois na minha casa os avós têm mais de 70 anos e são muito presentes no dia a dia das crianças: enquanto o isolamento total ainda não foi recomendado, estou segurando os finais de semana na casa da avó, levando para as atividades que normalmente fazem e pedindo para evitarem beijos e abraços.

Pais que estão passando pelo isolamento afirmam que a rotina gerou benefícios como a possibilidade de desacelerar, acompanhar a rotina escolar dos filhos mais de perto, manter a casa mais organizada e curtir as crianças sem pressa.

Torço para que a crise do Coronavírus (COVID-19) passe rápido e com o menor número de vítimas. Enquanto isso, vamos manter a calma e equilíbrio para ajudar as crianças. Bora fazer do limão uma limonada?

*DICAS DE ATIVIDADES EM CASA

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