Imagina na copa

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Vivian Wrona Vainzof

Gosto de copa do mundo. Tenho lembranças tão antigas quanto afetivas de jogos em família, entre amigos, os mais recentes no estádio. O clima de festa que toma conta da cidade supera aqueles memes “imagina na copa” que nunca mais paramos de ouvir. Que momento pra falar com as crianças sobre espírito esportivo, sobre respeito, sobre saber ganhar. Saber perder é fácil, só não vale chorar, mas saber ganhar requer elegância. As crianças entendem rápido. Fico pensando que o que elas não entendem é por que isso não vale para os adultos…

Ainda faltam semanas para a abertura da copa e a nossa torcida já começa a fraquejar diante da divulgação dos 23 nomes escalados para a seleção. São-paulinos e palmeirenses não se conformam com a falta de representantes dos seus times. Mas na copa, vestidos de verde e amarelo, não somos todos um só? Não era essa a ideia? Em algum lugar entre uma eleição e um impeachment, passando pelo uso doentio das redes sociais, acho que nós erramos a mão no que é ganhar e perder.

E como explicar para as crianças agora, que os oponentes nos fortalecem e a diversidade amplia a compreensão do mundo? Que perder faz parte do jogo, que reconhecer o valor dos outros é honesto com nós mesmos, que não ter o que se quer na hora que quiser é o maior aprendizado da vida.

Hoje os caminhoneiros estacionaram o país. Ontem eram os professores de escolas particulares de SP que fizeram greve e suspenderam as aulas. Acho que temos pelo menos duas boas oportunidade de conversar com as crianças sobre o diálogo respeitoso.

As paralisações me parecem birra infantil, um mecanismo muito primário de manifestação de insatisfação. Uma atuação deslocada, que agride direta e indiretamente aqueles que não são a causa e nem a solução das suas reivindicações. Como será que esses trabalhadores acolhem seus filhos quando eles se jogam no chão e gritam ou arremessam um brinquedo bem no meio da televisão para se fazerem ouvidos, reconhecidos e amados?

Mas as crianças estão aprendendo ainda, estão experimentando os limites, conhecendo a civilidade. São elas que precisariam de contenção e orientação para lidar com suas frustrações e impotências. Era com elas que deveríamos ter paciência quando a negociação não sai do jeito que esperavam.

Eu continuo na minha torcida. Espero que, como pais, estejamos fazendo nosso papel hoje, criando pessoas íntegras e estruturadas. De outra forma, o futuro é uma estrada interditada.

Imagina na Copa.