Isolamento e a volta às aulas em Israel

Daniela Strauss

Moro em Israel, mais precisamente em Tel Aviv, há mais de uma década, que, assim como Nova York, é conhecida como “Cidade que nunca dorme”. Inicialmente achei que era um exagero porque nesta “grande cidade” vivem mais ou menos 500.000 pessoas, mas por dia entram e saem mais de 1 milhão; é realmente uma super metrópole em termos culturais e econômicos, com muita gente na rua, lugares superlotados, cafés, restaurantes, eventos e grandes shows. Com um fluxo enorme de turistas do mundo todo, 24 horas aberta. Vivo aqui com meu marido, meu filho de 2 anos e meio e estou gravida de 6 meses. Quando surgiram as noticias da pandemia e o governo (que eu não sou nada a favor) tomou rápidas e drásticas providências, fomos chamados de histéricos e até de anti-democráticos - curioso, pois somos o único país democrático de todo o Oriente Médio. No inicio de março as escolas já estavam fechadas, eventos com mais de 100 pessoas proibidos e, claro, a quarentena para todos os infectados, seus familiares próximos e seus locais de trabalho.

Na semana seguinte, todos os lugares públicos, eventos e reuniões com mais de 10 pessoas foram proibidos, os jardins de infância e os aeroportos fechados. Locais de trabalho permitiam ate 15% de funcionários, somente os que chamamos de essenciais (comida e saude), e o uso de máscara passou a ser obrigatório. Polícia nas ruas passaram a distribuir multas para quem estivesse em lugares públicos ou com portas de estabelecimentos abertas.

Ficamos trancados em casa mais de 60 dias. Não vou mentir que aproveitei para curtir meu filho, minha casa e fazer diversas coisas enquanto trabalhava online na minha galeria e dava aulas por zoom. No meio de tudo, o governo providenciou drive thru de Covid-19, que são pequenos postos móveis em quantidades suficiente espalhadas pelas cidades onde todos podiam ser verificados.

Essas decisões radicais nos levaram a resultados relativamente rápidos. Há duas semanas os números de casos caíram drasticamente e o governo, junto com o Ministério da Saúde, resolveram retomar gradativamente as atividades escolares de ensino infantil e Fundamental 1. Somente uma parte da turma do meu filho foi chamada. Com horário especifico, podemos levar as crianças até a escola com máscara e não temos a permissão de entrar. Todas as manhãs levamos um formulário onde escrevemos a temperatura e o estado de saúde de cada criança. A professora sai até a porta e busca um de cada vez, onde esperamos em fila com a devida distancia.

Esperamos para ver os resultados da primeira semana… como tudo correu bem, decidiram retornar a outra metade da turma, nas mesmas regras. A escola 3 vezes por dia, não há troca de equipe e há alcool gel na entrada e na saída. Também começaram a reabrir os espaços públicos, com limite de pessoas. Os números na ultima semana subiram novamente mas somente em regiões de superpopulação e menos higiene.

Os casos estão se mantendo nas mesmas quantidades diárias nos últimos 10 dias e por isso ainda estamos em estado de alerta. Não sabemos o que acontecerá nas próximas semanas, mas tudo indica que a situação está relativamente contida. Estamos voltando a um cotidiano mais organizado e limpo, onde as pessoas estão mais distantes porem mais educadas. Esperamos continuar assim e reestabelecer a vida dentro de uma normalidade em pouco tempo.

Nota do editor: dia 08/06/2020, poucos dias após o texto ter sido escrito, o primeiro ministro de Israel suspendeu o relaxamento das restrições devido a um aumento acentuado de casos novos de covid-19