Kyoto com crianças

avatar de Elisa Roorda
Elisa Roorda

Depois da experiência curta e intensa em Takayama, nossa chegada em Kyoto não poderia ter sido melhor. Chegamos em um bairro bem residencial, calmo, tranquilo e de casinhas mais simples. Nossa casa ficava em uma rua estreita, que não entrava carro, apertada entre duas casas fofas e cheias de plantinhas. Finalmente chegamos em uma casa típica! Não só isso, mas linda também. Com divisórias de papel de arroz, tatame no chão, mesa baixinha com futons para sentar, colchões no chão para dormir todos juntos, um jardim japonês típico com uma fonte de água, um ofurô e um Tanuki logo na entrada para nos dar boa sorte e proteção.

E chegamos junto com o tufão Hagibis! Passamos dois dias trancados em casa, com fortes rajadas de vento e muita chuva lá fora. E a verdade é que ninguém se importou. Estávamos precisando desse tempo em casa, sem grandes programas e em uma casa como essa ficou melhor ainda. A Sofia disse que poderia viver ali a vida inteira, de tanto que se identificou com o lugar. O Martin se encantou com todas as divisórias delicadas de papel de arroz, para o nosso desespero. Mas com um tanto de paciência e supervisão ele entendeu que elas eram frágeis e seguiu brincando de abrir e fechar todos os dias mas com muito cuidado. A Nina amou a falta de móveis e o tatame pela casa toda. Deu para fazer todas as danças e apresentações que ela vinha programando.

Vivemos mais juntos do que nunca nessa casa. E com menos do que nunca também. Tantas coisas que estamos descobrindo que precisamos de menos. E tantas outras que precisamos de mais. Estes são os verdadeiros tesouros desta viagem.

O bairro não era tão interessante como o bairro que ficamos em Tokyo, que era cheio de lojinhas e cafés charmosos, mas ganhamos na tranquilidade e no silêncio. E logo descobrimos que estávamos bem perto do Nijo-jo Castle, um palácio imperial de 400 anos, então para lá fomos no nosso primeiro dia fora de casa. O palácio é imponente e lindo, com jardins harmoniosos e cheios de rios e lagos. Vale um passeio de um dia inteiro por lá.

No segundo dia resolvemos nos jogar na bagunça da cidade, mesmo com a chuva que não dava trégua. Fomos almoçar em um dos restaurantes simpáticos da Pontocho Dori Street, uma ruazinha charmosa na beira do rio. De lá saímos andando por outras ruas pequenas e cheias e fomos parar em Shinkyogoku, um centro comercial com uma parte aberta e outra fechada, cheio de lojas lindas e divertidas. Seguimos andando e chegamos no Nishiki Market: um mercado diferente de todos os que já visitamos pelo mundo. Ele é um corredor sem fim, apertadinho e cheio de comidas típicas.

No terceiro dia, inspirados pelo texto que limos do Theo resolvemos pegar um trem e ir até Nara. Foi uma surpresa maravilhosa! Vale um dia inteiro de visita para ver os templos, os budas gigantes e os veadinhos que circulam livremente pela cidade toda. Na volta, resolvemos viver uma experiência típica dos japoneses: jantamos na estação de trem, antes de pegar um taxi de volta pra casa. Descobrimos que as estações de trem tem tantas opções que acabam virando destino de vários jantares de amigos e famílias no final do dia.

No dia seguinte o Flavio e as meninas fizeram mais uma destas experiências do Airbnb e que valeu muito a pena. Fomos caminhando até um bairro simpático e entramos em uma papelaria linda, onde eles passaram algumas horas fazendo cartões postais japoneses com folhas e flores secas e treinando o nome deles em japonês. Enquanto isso fui passear com o Martin pelo bairro, cheio de cafés e lojinhas interessantes. Dou as dicas dos lugares mais bacanas lá embaixo.

Fiquei com inveja e no outro dia eu que fui com as meninas para uma dessas experiências. Fizemos lindos lenços shiboris! Com tinturas coloridas e naturais. A Nina escolheu o máximo possível de cores, mudou de ideia umas cinco vezes e quase deixou a senhorinha louca, mas fez um lindo arco íris, radiante e feliz como ela. A Sofia decidiu rapidamente as três cores que queria e a ordem delas. Todas combinando e suaves como ela. Não deixou ninguém ajudar com nada e ficou tão feliz que dormiu enrolada no seu lenço. E eu fiquei tão preocupada em traduzir e ajudá-las com tudo que esqueci de escolher o que eu faria. Fiz tudo no último minuto, não ficou muito bom, mas elas juraram que era o mais lindo do mundo <3

E para o nosso último dia em Kyoto não podia faltar uma visita em um templo. Kyoto é um dos centros religiosos mais importantes do Japão com mais de 1.500 templos e santuários, sendo que 16 deles são Patrimômio Mundial da Unesco. Foi difícil escolher apenas um porque todos parecem lindos e imperdíveis! Mas como já vínhamos visitando vários templos, não estávamos mais com aquele desespero de visitar muitos e nem os mais turísticos. Resolvemos seguir a dica da vovó Veronica e visitar um templo diferente de tudo o que já tínhamos visto. O Ryoanji Temple tem um jardim zen de pedras. São 15 pedras, de formatos e tamanhos diferentes, dispostas de uma forma muito interessante em um jardim de areia branca. Sempre tem uma pedra escondida da nossa visão, não importa onde estejamos. Só vemos 14 das 15 pedras. É uma referência ao conceito chinês de que 15 é o número da perfeição, mas como não somos perfeitos não conseguimos enxergar todas as pedras pois temos uma perspectiva limitada. Se quiser evitar multidões e meditar tranquilo nesse jardim de pedras, melhor chegar cedo. E depois dá para almoçar lá mesmo, em um restaurante divertido onde pedimos nossa comida em uma máquina parecida com essas máquinas de bebidas que ficam nas ruas.

E aqui nos despedimos deste país incrível e que vai deixar saudades. Rumo a Austrália!

DICAS

Experiências do Airbnb

Loja mais bacana de roupas para todas as idades: SOU SOU

***

>> A Elisa está ha quatro meses viajando o mundo com a família. Leia aqui os textos da coluna Sabático pelo mundo em família, escritos por ela.

por Elisa Roorda em colunas, Sabatico pelo mundo em família.

Elisa Roorda, 39 anos. Mãe orgulhosa de 3 criaturinhas: Nina, Sofia e Martin. Publicitária pela ESPM, e dona de uma carreira abandonada na área de marketing esportivo. Fundadora do Mamusca, um espaço mágico que segue funcionando nas mãos de outras fadinhas. Pregadora do livre brincar, da conexão, da presença, do encantamento pelo mundo. No momento viajando o mundo com toda a trupe.