Não paramos de brigar em casa durante o confinamento. E agora?

Vanessa Skilnik
(freepiks)
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​Durante o período de confinamento, com todos mais sensíveis, as brigas familiares podem se acentuar. Não espere acumular muita raiva e explodir, convoque uma reunião em família!

A educadora Rosalind Wiseman* sugeriu um roteiro em artigo no New York para que as reuniões não sejam outra fonte de conflitos e tragam resultados mais concretos. Segue algumas dicas adaptadas do texto original:

Convite
Combine com antecedência um horário e local da casa para a reunião, com limite de tempos e regras (como não levar o celular). Ela sugere que a reunião dure 45 minutos.

Início
Comece reconhecendo que todos passam por um momento difícil e que é natural um estar mais irritado com o outro. Enfatize o objetivo e princípios da reunião:

  • Ouvir e levar a sério o que o outro diz, sem julgar que está certo ou errado. Todo mundo tem o direito de ter opiniões e sentimentos diferentes sobre uma situação. Ninguém tem o direito de dizer que a opinião ou os sentimentos de outra pessoa estão errados.
  • Relembrar que todos continuarão juntos e que é do interesse de todos chegar a um lugar melhor
  • Evitar uma linguagem corporal negativa, como sem rolos de olhos, suspirando ou insultando a linguagem corporal
  • Compreender que cada um provavelmente terá que mudar pelo menos uma coisa para tornar o problema melhor

Seção perguntas e respostas
Distribua um papel para que os participantes escrevam respostas às seguintes perguntas (peça para os menores ditarem suas respostas)

  • Descreva especificamente o que está te frustrando. O que você quer que aconteça em vez disso?
  • Há alguma coisa que esteja fazendo que esteja contribuindo para o problema? Se sim, há algo que você está disposto a fazer para mudá-lo?
  • Por que essas mudanças seriam difíceis de implementar? Por que acha que não funcionariam?
  • Essa reunião vai valer a pena se…

Hora de ouvir

  • Após alguns minutos, cada pessoa terá um tempo determinado para compartilhar suas respostas sem interrupções. As perguntas ou comentários que surgirem enquanto o outro fala devem ser escritas para uso na fase seguinte.

Momento de perguntar
Depois que todos falarem. haverá tempo para fazer perguntas e garantir que todos sintam que foram ouvidos e que há chances de melhorar as coisas. Esta é uma parte muito complicada da reunião. Tome cuidado para que as perguntas sejam para obter esclarecimentos, e não questionamentos sobre a inteligência ou lógica do outro. Ela sugere perguntas “curiosas” no lugar de “porquês”. Pode me falar mais sobre…? Ajude-me a entender… Se o tom for sarcástico, não importa o que for dito, o receptor ficará na defensiva e acreditará que sua perspectiva não foi levada a sério.

Fechamento
Na fase final cada pessoa deve responder: Qual é a única coisa que você quer que todos se lembrem do que disse? Qual é a única coisa que você ouviu de outra pessoa que é importante lembrar? O que você precisa fazer para contribuir?

E agora?
É irrealista esperar que uma reunião resolva o conflito. Faça lembretes no dia seguinte. Reforce o que está mudando e encoraje a prática até incorporar novos comportamentos.


*Rosalind Wiseman é educadora e co-fundadora da of Cultures of Dignity, organização que trabalha com comunidades para mudar como pensamos sobre os jovens e autora do Queen Bees & Wannabes: Helping Your Daughter Survive Cliques, Gossip, Boyfriends, and the New Realities of Girl World