O impacto do crack na adoção de crianças

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Ana Davini

Nada leva a tantos casos de abandono de crianças como o crack. É uma verdadeira epidemia, que impacta diretamente o cenário da adoção no Brasil. Não poderia encerrar minhas colunas sem abordar este tema.

Dominadas pela droga, mulheres a consomem até durante a gestação e muitas abandonam seus bebês logo após o parto em hospitais ou mesmo nas ruas. Eles, por sua vez, enfrentam de cara os sintomas da abstinência e maioria é encaminhada para abrigos, onde fica à espera de reinserção na família biológica, se houver parentes interessados, ou então na colocação em uma família adotiva.

Para que se tenha uma ideia da gravidade, mais de 90% das crianças atendidas pela Vara Central da Infância e Juventude de São Paulo, localizada na região central, nasceram de usuárias.

O crack é a cocaína em estado sólido, para ser fumada, muito mais perigosa e muito mais viciante do que a versão em pó. Supostamente os males que pode provocar em um bebê são inúmeros, desde uma simples tremedeira pela falta da droga até má formação de órgãos vitais como coração e pulmão, passando por deficiências físicas, mentais e de aprendizado, dificuldades para comer e dormir e até paralisia cerebral. Mais tarde, as consequências também podem ser déficit de atenção, baixo desempenho cognitivo e debilidade no processamento de informações.

Porém, enfatizo que todas estas sequelas são meramente suposições. Não existe consenso na classe médica e nem todos os filhos de viciadas em crack estão condenados. Alguns nascem perfeitos e saudáveis, e alguns especialistas inclusive alegam que não necessariamente o crack foi responsável por todos os problemas. Eles podem estar ligados a fatores como desnutrição da mãe, falta de condições de higiene, falta de exames pré-natais e doenças como a sifílis, que pode provocar até cegueira.

De qualquer maneira, se você quer reduzir os riscos, considere adotar crianças maiores de 1 ano. Até essa idade é possível detectar a maioria das sequelas do uso de drogas na gestação.