O que faz você feliz?

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Vivian Wrona Vainzof

“Muito obrigado, tia, muito obrigado mesmo”. O menino saiu correndo aquela corrida de mola, quando a alegria vai parar na sola dos pés. Ele correu, saltou, correu mais, não consegui ver aonde foi. Mas voltou bumerangue e me deu mais um sorriso de tuti fruti.

Me emplumei toda. Como é gostoso deixar alguém feliz. Não estivesse de saia, corria eu, feito bumerangue, só pra ir e voltar e ver de novo o seu brilho no olho.

Conheço o menino. Não convivo de perto, mas o bastante para achar muitas coisas. Por isso me surpreendi com uma doçura e uma delicadeza que eu não esperava. E por que esperar? Se já o vi bater na mãe inúmeras vezes, se sei que traz problemas para outras crianças na escola, se assisto seu desrespeito com vários adultos diariamente…

Por que esperar? Ah, só para derreter nossos olhos gelados, que não estão podendo ver calor humano. Só para amaciar nossos espinhos, tão pouco amorosos com o que estamos esperando receber. Ou, do avesso, por que sempre esperar alguma coisa, quando poderíamos estar simplesmente abertos, neutros, imparciais, sem antecipar o que vamos achar?

Nesses tempos de condenações em primeiras e últimas instâncias, criamos o hábito amargo de julgar e condenar tanta gente à nossa volta, incapazes de dar a volta, de olhar pelo outro lado. E sem muita tolerância ou empatia, corremos o risco de deixar de perguntar: o que faz alguém feliz?

O Pão de Açúcar perguntava, na voz açucarada da Clarice Falcão, “o que faz você feliz?”. Interessante o exercício da auto indulgência mas percebi que a satisfação é dobrada quando ela vem de dentro pra fora. Quando sai da gente e alcança mais longe, quando traz de troco um sorriso inédito, supresa para as duas partes ou, melhor ainda, outras mais.

Foi assim que recebi aquele sorriso de leite Ninho, tão inesperado, tão emocionante, tão nutritivo pro coração.

Tem coisa que mexe comigo, que me faz matutar mais que outras. Esse aí ficou aqui dentro, saltando que nem mola no meu peito. Me amolando, no melhor sentido da palavra.

Deve ser isso, então, o que mais me faz feliz?