Pare, repare, escute

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Vivian Wrona Vainzof

​As crianças vivem com a gente nesse mundo mas seus olhos enxergam os encantos que já não vemos mais. Elas se entregam aos mistérios que nem notamos e se deslumbram com os milagres que não podemos reparar, apressados de preocupação. Crescemos e esquecemos de olhar pra vida, de sentir a vida, de entender a vida, de absorver a vida, de viver a vida. Mas o perigo é ainda maior. No esforço desmedido de formar e informar, não estamos vendo o risco que corremos de impedir que crianças vivam a plena infância. Aquela da primeira experiência, do estado de graça. E os estímulos que oferecemos, extraídos do mundo que os nossos olhos conseguem ver, estão arrancando as crianças do chão que elas pisam, da terra que contém todos os nutrientes que elas precisam para serem pessoas curiosas, inventivas, interessadas, sensitivas, exploradoras, associativas, empenhadas, originais, perceptivas, engenhosas, habilidosas, realizadoras…

Nosso projeto atual de “empreendedorismo infantil”, de “criatividade”, de “desenvolvimento” já não seriam a forma mais genuína da infância natural? Do que estamos privando os filhos, para depois suprir de algum jeito artificial?

Maria Montessori acreditou que, para a criança, a vida é suficiente e sabe o que faz: se abre aos cinco sentidos e convida a criança a desenvolver-se com perfeição. Esse texto delicado do Lar Montessori fala mais sobre isso. Faz essa provocação.

Nosso próximo convidado na Matutaí também fala e vive assim. Marcio Vassallo não é educador, médico ou pedagogo, mas escritor. E como autor de tantos livros infantis, se conectou profundamente com o universo da infância. Ele nos provoca e nos convida a parar, reparar e escutar. A nos conectar com o olhar ingênuo e deslumbrado que habita nosso espaço mais íntimo, ansioso por encantamento. Vai ser dia 18 de junho, às 12h, na Unibes Cultural, em São Paulo. Esperamos você para matutar com a gente - inscreva-se pelo Sympla.