Recomendações para retomada das aulas presenciais para prevenção à Covid-19

Vanessa Skilnik

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou dia 25 de setembro um documento indicando as condições mínimas para garantir um retorno seguro às aulas presenciais por crianças e adolescentes, com foco nos alunos da rede pública e privada de ensino, seus familiares, professores e demais profissionais envolvidos.

Entre as medidas recomendadas pela entidade estão a adoção de um modelo híbrido, combinando aulas presenciais e remotas, de forma a garantir o direito de acesso ao ensino à distância para alunos de grupos de maior risco, assim como às famílias que, por insegurança, optarem por manter as crianças em casa. Mesma prerrogativa deve ser oferecida a professores e funcionários das escolas. Para aulas presenciais, a SBP defende o uso obrigatório de máscaras por crianças em idade apropriada (leia recomendações), a divisão dos alunos em turmas menores, o distanciamento social (nas salas com um a dois metros de distância entre as cadeiras), a proibição de aglomerações e a restrição da entrada de familiares na escola.

“Os prejuízos causados pelo fechamento das escolas para as crianças são inequívocos, especialmente quando se prolonga por muito tempo, como atualmente ocorre na maior parte do Brasil”, afirma a Luciana Rodrigues Silva, presidente da SBP. “Entretanto, é importante também reconhecer que ainda temos lacunas no conhecimento da dinâmica de transmissão do SARS-CoV-2, o que limita a capacidade de anteciparmos com precisão os riscos associados à reabertura das escolas”, pondera.

A SBP também aponta que devem ser mantidas as medidas básicas de prevenção à Covid-19, como a higienização frequente das mãos e superfícies, o uso de garrafas de água próprias pelos alunos, e a preferência por atividades ao ar livre ou em ambientes arejados e ventilados dentro da unidade escolar.

A entidade recomenda que as escolas estejam preparadas para fazer uma triagem de sinais e sintomas indicativos da doença (como febre, tosse e outras manifestações respiratórias e gastrointestinais), com a orientação de familiares para que a escola seja comunicada com rapidez; assim como que sejam reservados espaços para acolher alunos que manifestarem sintomas durante o período de aulas.

Para a entidade, ainda, devem ser disponibilizados testes diagnósticos virológicos para as crianças sintomáticas nas unidades de saúde locais.

Os pediatras alertam que a decisão pela retomada da rotina escolar deve ser definido após uma análise individualizada da realidade de cada município, com a participação de técnicos das áreas de saúde e educação, atuando de forma integrada.

Para facilitar o processo, a entidade sugere a criação de comitês para avaliar as escolas durante visitas em que seriam conferidos pontos como, número de banheiros, disponibilidades de pias, capacidade física das salas de aula, e a adoção de protocolos de higiene baseados em consensos rigorosos para funcionários, professores e alunos.

A escassez de elementos científicos consistentes sobre a transmissão do vírus entre o público infantil impede recomendações “livres de incertezas” e exigem diálogo contínuo entre gestores, médicos, técnicos, professores e famílias.

School photo created by freepik - www.freepik.com