Sei que cresci

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Vivian Wrona Vainzof

Será que é sempre nas férias que crescemos mais?

As peças do uniforme, que encolhem na volta às aulas, sugerem que sim. As calças, que serviram o ano todo, batem nas canelas no primeiro dia de aula e os agasalhos não alcançam os pulsos. As camisetas encardidas já descobrem o umbigo.

Nos meses de verão, em que deixamos guardados os dias comuns, a vida se mostra de um outro jeito para nós ou somos nós quem conseguimos abrir por inteiro a janela e olhamos mais longe?

Nessas férias, pela primeira vez, mandei um filho para a colônia de férias. Algumas pessoas tiram de letras as experiências de separação. Nós, nem tanto. A primeira noite foi assustada. Deu nó na garganta. Deu vontade de colo e de ouvir a voz que tranquiliza o sono. Com o passar dos dias, a distração e as ocupações garantiram a diversão, e as noites sem beijo ficaram mais familiares.

Sem poder se falar, cada um de nós construiu sozinho uma fantasia que foi acomodando a falta. Será que é isso o que alonga as canelas nas férias? E quem desconfia que todos ganham com isso?

Além do umbigo, quanto mais se pode descobrir pela experiência? Tudo o que é novo nos faz crescer.

Na chegada, o ônibus fez a curva na avenida e deu para ouvir de longe o acelerador dentro de mim, pisando fundo na minha ansiedade desenfreada. Trazia as crianças ao reencontro dos pais ansiosos e inseguros. As caras esgotadas e felizes garantindo que tudo valeu a pena.

Essa noite eu dormi com meu menino crescido, no colo, sem susto e sem nó na garganta. Ouvir a voz dele me fez dormir tranquila, afinal.

Na realidade, eu não sinto o meu pijama encurtado. Mas entre os abraços saudosos e uma lágrima que não pude conter, sei que cresci. E quem pode deixar de crescer?

Mesmo de janela fechada e com ele aqui do meu lado, sei que ele vai longe, muito longe. Pra voltar ainda maior.