Um desejo para chamar de seu…

Claudia Olivieri

Dezembro é um mês em que inconscientemente nos colocamos a desejar. Desejamos realizar um sonho, viajar, ter saúde, uma casa, um carro novo, um emprego…

Hoje me ponho a pensar num desejo que repeti por anos a fio. Entrava ano, saía ano, os fogos pipocavam no céu, o barulhinho das taças brindando ao fundo e lá estava eu, pedindo ao universo que me desse um filho.

Eu queria ser mãe! Ah, como eu queria!

A cada mês, a cada data comemorativa, a cada aniversário que passava eu prometia a mim mesma que seria o último sem um filho para chamar de meu.

Mas as coisas não acontecem nem quando, nem como a gente quer. É nas horas em que temos mais pressa que aprendemos (na marra) a ter paciência.

Minha saga em busca da maternidade começou com a parada do anticoncepcional. Seis meses se passaram e nada. A ginecologista aconselhou um indutor de ovulação. Mais seis meses se passaram e nada. Depois disso vieram exames, investigação, choro, desânimo…

Entre idas e vindas três anos se foram… Esperança? Confesso que ainda tinha (mas chega uma hora em que a gente acha que, cedo ou tarde, ela também vai acabar).

Cansei, decidi mudar de médico e jurei para mim mesma que ia colocar um prazo para que esse desgaste todo acabasse. Se em um ano eu não conseguisse engravidar, mudaria de planos.

Médico novo, energia renovada e, depois de quase uma hora lendo todos os exames que levei ele me disse justamente o contrário do que eu esperava!

- Não posso fazer nada por você! Mas sei quem pode te ajudar! Seu caso é para um especialista em reprodução humana.

- Sério isso? Confesso que não sabia se ria ou chorava.

E lá vamos nós, eu e meu marido, mais uma vez contar toda a nossa luta para mais um médico…

Se é fácil falar da sua intimidade para um completo desconhecido? Melhor pular essa parte…

Mais exames, mais investigação, mais ansiedade!

Se eu tinha dinheiro? Claro! Para uma única tentativa! Era mais ou menos como “ter” de ganhar na mega com uma única aposta - logo eu que não ganhava nem pirulito em rifa!

Mas como saber se ia dar certo sem tentar? Não queria esse arrependimento para mim e me joguei de corpo e alma num processo que levou 28 dias até que viesse o positivo no exame de sangue…

Dez anos se passaram desde que a minha menina chegou. Meu maior sonho, meu maior desejo realizado! O que aprendi depois de tantos anos insistindo nesse sonho?

Que quanto mais a gente luta, mais os nossos desejos se realizam! Bora correr atrás para fazer os seus se realizarem?