USP realiza estudo sobre saúde mental de crianças e jovens na pandemia

Vanina Pinheiro

O estudo Jovens na Pandemia realizado pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP busca entender o impacto psicológico da pandemia entre crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. Os dados são importantes para identificar as necessidades, planejar intervenções e políticas públicas explica o coordenador da pesquisa Guilherme Polanczyk.

Ao longo de 12 meses, os pesquisadores querem caracterizar emoções e comportamentos desse público no contexto da doença. Um formulário on-line é enviado aos pais e é feito um monitoramento das crianças e jovens em média uma vez por mês. Para participar, não é necessário ter um quadro de ansiedade ou depressão em curso. Depois de analisados, todos os voluntários receberão um retorno sobre o seu estado de saúde. “Aqueles que precisarem, serão encaminhados para psicoterapia no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas”, explica Polanczyk.

O psiquiatra afirma que os sentimentos foram mudando ao longo dos dias. Segundo ele, as reações foram mais intensas no início. Depois, houve o período de adaptação à nova realidade e, essa fase, que é a que estamos vivendo agora, deixou as pessoas mais cansadas. “Não saber o que vai acontecer gera muita ansiedade”, explica o psiquiatra. Os grupos de crianças com vulnerabilidade prévia – aquelas que já apresentam transtornos mentais, vivem na pobreza e em situações precárias de moradia – podem sentir com mais intensidade os efeitos do isolamento social.

Por isso, os pesquisadores acham importante haver uma intervenção médica e psicoterápica a partir dos 5 anos. Nessa idade, a criança já tem uma compreensão maior do que está acontecendo, entende os riscos e sabe que a doença pode atingir pessoas próximas”, diz o médico.

Durante o estudo, os pais serão orientados a reconhecer os sinais de estresse dos filhos, processá-los e passar para eles respostas que gerem segurança, acolhimento e aprendizado, por exemplo. Sintomas como ansiedade, estresse, irritabilidade, tristeza, insônia, além de agitação e desesperança, servem de alerta.“Boa parte dos transtornos que acompanham os adultos começa na infância”, explica Polanczyk . “Mas se os adultos também necessitarem de ajuda, serão encaminhados para tratamento.”

Como participar

Os interessados deverão preencher o formulário no site da pesquisa e responder o primeiro questionário, que dura aproximadamente 20 minutos para ser preenchido. Os demais demandarão um tempo menor, em torno de 5 minutos. Além disso, as crianças serão convidadas a participar de um jogo via internet que avalia a flexibilidade do pensamento delas.

Após preencher os dados, os pais ou responsáveis receberão por e-mail informações sobre os comportamentos do filho comparados aos padrões na população. Essas informações serão exclusivas aos pais. Já os dados do grupo de crianças e adolescentes que respondeu à pesquisa serão divulgados, sem a identificação de qualquer participante.

Mais informações: e-mail gvp@usp.br, com Guilherme Polanczyk

*Com informações do Jornal da USP