O mundo deles

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Vivian Wrona Vainzof

Eu ensinei a jogar memória, cartas, damas, jogo da velha, eles me ensinaram a jogar Clash e Angry Birds e a economizar bateria. Eu ensinei a dormir cedo para recarregar. Ensinei a olhar no olho, ensinei como segurar o lápis, os talheres e a porta do elevador. Não sei se vão precisar disso quando crescerem. Eu aprendi algumas coisas na marra, eles aprendem no YouTube. Eu escrevo à mão, eles preferem o gravador de áudio. Para mim, tudo bem, desde que tenham o que dizer e que falem com respeito. Eu aprendi a pesquisar notícias e assuntos, eles pesquisam artigos de consumo, me abrem janelas para falar de consumismo e de interesses. Eu preciso de privacidade, eles preferem “me filma”.

Eu sou mais dos livros, das revistas, do toque. Eles são mais Siri e Alexa. Eu só preferia que elas fossem duas amigas da classe.

Eu olho os segundos no ponteiro, enquanto o mundo deles é digital, eles não veem o tempo passar. Eu sei que tudo é passageiro. Ou quase tudo. Eu sempre posso esperar. Ou quase sempre. Eles não sabem o que esperam. A vida deles é já, é só se for agora.

Eles querem chegar logo.

Eu vivo do caminho.

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