Viajando leve, com tempo e presença: Amsterdam com crianças

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Elisa Roorda

Viajar com crianças tem outro ritmo. Ainda mais quando se tem um pequeno de um ano no meio da trupe. Tudo leva mais tempo, quase nunca chegamos na hora que programamos, de repente alguém cai ou vomita, não dá pra fazer mil programas por dia, mas a verdade é que no final eu acho que tudo fica mais divertido.

Achei difícil quando a Nina nasceu. Sentia que não conseguia fazer mais nada do que fazia antes! Tudo levava mais tempo, nem sempre eu chegava no meu destino final e o pior: não conseguia controlar mais nada. Mas hoje agradeço esse novo ritmo que meus filhos me trouxeram. Aprendi a ter mais presença e a valorizar coisas bobas do dia a dia que na correria passavam batidas. Sim, nós chegamos exaustos no final do dia, mas felizes com tudo que vivemos com eles. E às vezes a felicidade vem em forma de um pato que mergulhou e saiu do lago 53 vezes.

Então decidimos que esta aventura não seria diferente. A gente viajaria leve, com malas pequenas e só com o essencial (mesmo que no caso da Sofia o essencial seja um colar que a dinda deu). Também decidimos que faríamos paradas longas para curtir tudo com tempo e sem pressa. E o mais importante: nossa programação teria mais a ver com o fluxo do dia, da família e do que fosse aparecendo, do que com pontos turísticos obrigatórios. Tudo bem se quiséssemos passar dias preguiçosos em casa, sem programação nenhuma e curtindo nosso tempo juntos.

E já que seria assim, colocamos a maior parte do nosso tempo e dinheiro na escolha das casas onde ficaremos. Porque assim ninguém fica aflito pra sair e não precisamos nos aventurar em grandes programas todos os dias. E se o Martin resolver dormir horas seguidas, tá tudo certo. Dá pra ficar desenhando, ouvindo música, brincando, conversando e cozinhando.

Assim decidido, chegamos em nosso primeiro lar, em Amsterdam. Escolhemos uma casa em um bairro super residencial, ao lado de um parque e morada de 5 (sim, cinco!) crianças, entre um e quatorze anos. É uma casa deliciosa, com brinquedos para todas as idades e bikes de todos os tamanhos (algo absolutamente essencial em Amsterdam).

Já estava bom, mas ficou melhor ainda quando chegamos e conhecemos a Esther, mãe dessa família enorme. Ela é arquiteta, tem um super bom gosto e é fundadora de um site chamado Babyccino, que vende as marcas infantis mais lindas do mundo, além de ter um blog cheio de dicas sobre a maternidade, receitas e viagens para famílias. A casa dela não só é linda e tem um quintal delicioso, como cada objeto tem sua história. Logo descobri que eles não estão lá por acaso e isso, com certeza, traz uma energia maravilhosa para o lugar. Tem desenhos das crianças pelas paredes, esculturas da mãe dela, lembranças de viagens, brinquedos antigos usados por todas as crianças ao longo dos anos, livros, livros e mais livros e até uma placa enorme do Star Wars achada no lixo em NY. É tudo lindo e verdadeiro. E a família, que é super astral, nos deu uma lição de entrega, generosidade e desapego deixando absolutamente TUDO! Todos os brinquedos, enfeites, utensílios, comidas da despensa, temperos e acessórios à nossa disposição. Inclusive os cuidados do gato Hunter e dos 49 vasinhos de plantas que eles tem dentro de casa. Fora algumas comidinhas prontas e vinhos e cervejas pra nossa chegada ser mais suave. Dá pra imaginar como nos sentimos acolhidos? Esse gesto nos fez rever o apego que temos pelas nossas coisas e a confiança que teríamos em entregar tudo para uma família desconhecida na nossa casa. Coisa que nunca fizemos nesta vida. Muito menos nossas crias.

Fizemos um encontro delicioso com as duas famílias esta semana e ainda estamos lembrando por aqui desse momento gostoso que tivemos juntos. Foi a primeira vez que encontramos os donos de uma casa que alugamos e foi muito especial. E assim começa a nossa jornada e o início de novas e lindas amizades que vamos fazer nesta viagem.

Ainda estamos em um ritmo tranquilo, chegando com calma na vida dos holandeses e tentando entrar no fuso. Passamos bastante tempo da primeira semana em casa, montando quebra cabeças, jogando jogos, desenhando, lendo, conversando e brincando de esguicho no jardim. A maioria dos nossos passeios ainda foram bem pertinho, naquele ritmo preguiçoso e presente que falei. Deixo aqui algumas dicas desse bairro delicioso, no sul de Amsterdam, que estamos descobrindo aos poucos:

Kid and Coe

Site de aluguel de casas, como o Airbnb, mas com uma curadoria incrível e com foco em famílias com filhos pequenos. As casas são maravilhosas e sempre equipadas com tudo que uma família com crianças possa precisar. Estamos usando ele na maior parte das nossas escolhas.

Beatrixpark

Parque maravilhoso aqui do lado de casa, com canais, muita grama para brincar e se jogar, um parquinho delicioso e uma piscina rasinha para os pequenos se refrescarem no verão.

Restaurant As

Fica grudado no Beatrixpark, em uma igreja antiga reformada e servem “comida de verdade”. É cheio de espaço para as crianças brincarem, tem dois porquinhos que os pequenos adoram, usam só ingredientes orgânicos de fornecedores locais e fazem tudo eles mesmo: defumam o próprio salmão, curam o presunto e assam o pão que servem. Vale muito a pena!

Bentenge

Minha família é holandesa da Indonesia e todos da família apreciam muito a comida indonesiana. Então quando combinamos um jantar com os tios holandeses, resolvemos pedir um indonesiano que fica aqui do lado de casa. Chegou rapidinho e estava delicioso! Para quem quiser se aventurar em novos sabores.

Yscuypje

Sorveteria pertinho de casa, com sorvetes deliciosos para enfrentar o calor surreal que está fazendo no momento.

Minimkt

Lojinha ma-ra-vi-lho-sa, de coisas infantis lindas e com um café (cheio de brinquedos) para os pais que quiserem dar uma paradinha. Me lembrou demais o clima do Mamusca ;-)

Marqt

Mercadinho com tantas coisas deliciosas e orgânicas, que nem dá pra explicar. Descobrimos que na verdade é uma rede e tem em vários pontos da cidade. Mas tem um aqui do lado de casa, onde resolvemos muitos almoços e jantares.

Hema

Loja holandesa que tem de tudo um pouco e muito barato. Mas tudo mesmo! Roupas, brinquedos, papelaria, coisas de banheiro… dá vontade de comprar tudo! Mas como estamos viajando leve, só ficamos na vontade. Também é uma rede que está em vários pontos, mas fomos aqui perto de casa.

  • Leia O começo de tudo e conheça um pouco mais sobre essa viagem de seis meses pelo mundo que a Elisa Roorda está fazendo com a família.