O processo de habilitação para adotar uma criança

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Ana Davini

As entrevistas com assistentes sociais e psicólogos são uma das partes mais duras do processo de adoção. Entendo que é assim que deve ser mesmo, para afastar pessoas despreparadas ou mal intencionadas, mas para quem não se encaixa em nenhum desses grupos é uma verdadeira prova de resistência moral.

O primeiro desafio é a definição do perfil da criança ou do adolescente desejado. São muitas variáveis - sexo, etnia, faixa etária, estado de saúde, com ou sem irmãos, totalmente disponível para adoção ou não - e ainda existe a pressão para que você não escolha bebês, que, teoricamente, são poucos. Não acredite nisso. Mais para frente mostrarei números surpreendentes.

Meu conselho é que você estude muito bem o perfil de cada faixa etária, o impacto do crack e as doenças possíveis e siga seus instintos. Se você sonha com um recém-nascido, por exemplo, não aceite adolescentes só para acelerar o processo. As chances de dar errado são enormes e, a cada vez que você recusar a indicação de uma criança, terá que passar por reavaliação psicológica ou voltar para o final da fila.

Depois vêm as sessões com um psicólogo. Para casais são no mínimo quatro, cada uma com pelo menos uma hora de duração: a primeira com os dois pretendentes, depois uma com cada e por fim novamente com ambos. Se depois desta maratona o profissional do Fórum ainda tiver dúvidas, continua com as entrevistas, sem limite máximo. Casais que discordam entre si sobre a adoção, por exemplo, costumam ser barrados até chegarem a um acordo. O mesmo vale para pessoas que demonstram insegurança ou que querem a adoção só para reparar a perda de um filho bioólgico. Ou seja, não existe prazo certo para a habilitação.

Como parte deste estágio também será feita uma visita à residência dos pretendentes, para garantir que existe um ambiente propício a uma criança. É outra parte chata, pois muitas assistentes sociais implicam até com animais de estimação.

Por fim, também é necessário frequentar grupos de apoio, que emitirão certificados que devem ser entregues ao Fórum. Um deles é o GAASP, de São Paulo, mas existem vários em todo o país. O site www.angaad.org.br, da Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção, mostra uma relação bastante grande, que contempla quase todos os Estados e o Distrito Federal.

Dando tudo certo nas entrevistas e na visita, os pretendentes são finalmente incluídos no Cadastro Nacional de Adoção, que será o tema da minha próxima coluna. Fique ligado!