Diversidade na infância

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Henri Zylberstajn

A maioria de nós teve poucas oportunidades de conviver com a diversidade durante a infância.

Brancos e negros, ricos e pobres, não se relacionam tanto uns com os outros, quanto o fazem entre si. Questões ligadas à orientação sexual aparecem apenas mais adiante. Pessoas religiosas, independente do credo, normalmente não convivem com crenças muito diferentes das suas. A inclusão de pessoas com deficiência ainda não é uma realidade “pra valer”. E por ai vai.

O convívio com o que é diverso trás pluralidade à formação dos indivíduos. Amplia horizontes. Em contrapartida, uma vida distante da diversidade faz com que certos padrões sejam estabelecidos, sem que todas as possibilidades tenham sido apresentadas e consideradas.

Referenciais únicos de beleza, de pensamentos, de orientação religiosa e sexual, de condição física, mental, social e financeira são, muitas vezes de forma involuntária, pré-determinados numa fase ainda inicial do desenvolvimento de cada um de nós.

Isto implica que, ao se deparar em algum momento com o que é diferente destes pré-conceitos, as pessoas não aceitem de forma natural aquilo que, assim como elas, também é natural.

Adicionalmente, dependendo de como estas questões forem tratadas dentro do contexto social-escolar-familiar, a diferença pode dar lugar ao preconceito.

Uma criança que não convive com as diferenças, pode se tornar um adulto repleto de pré-conceitos. Assim como eu, Henri, era - e provavelmente ainda sou - para alguns temas.

A inclusão nos ensina a enxergar o mundo através de outra perspectiva. A nos colocarmos no lugar do outro. A respeitarmos as individualidades alheias - afinal, todos temos as nossas, umas mais aparentes do que as outras.

E nos fazer revisitar conceitos tão básicos da natureza humana, muitas vezes esquecidos no mundo em que vivemos, faz da diversidade uma poderosa ferramenta de engrandecimento pessoal.

“Inclusão não é favor, é um processo de evolução do mundo para todos” (@laucpatron). Não pense em aceitá-la apenas por beneficiar quem tem alguma necessidade diferenciada. Pense em vivenciá-la, dentre varias razões, porque é algo muito bom também para você.

E ai, vamos juntos?

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por Henri Zylberstajn em diversos, educação.

Henri Zylberstajn é pai de 3 filhos e depois que seu caçula (Pedro, o “Pepo”) nasceu com síndrome de Down, ele e sua família se engajaram na causa de pessoas com deficiência intelectual e autistas. É fundador do Projeto Serendipidade - ONG que atua para que a inclusão não seja encarada como um favor, mas como um processo de evolução do mundo para todos.