Enquanto formos criança salvaremos o mundo

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Maria Manuela Moog

Nossa esperança de ver o mundo melhor é sempre repassada para as novas gerações. Acreditamos que as crianças têm mais capacidade de gerir o mundo do que nós - com o único inconveniente de só poderem fazer isso quando não forem mais crianças.

Ora bolas! Qual seria a fórmula então?

O arquiteto Ronald Rael em conjunto com Virginia San Fratello bolaram uma peça chamada Teeter-Totter Wall (Muro de Gangorra em tradução livre) e a instalaram na fronteira entre o México e os Estados Unidos. Apesar de ter ‘sobrevivido’ pouco mais de 30 minutos, a obra repercutiu vigorosamente nas redes sociais e demais meios de comunicação. Isso porque este simples e afetuoso gesto foi o antídoto perfeito para todo ódio, intolerância e autoritarismo que andam minando aquela área.

Ao resgatar um gesto simples porém extremamente potente que é o ato de brincar, os artistas conseguiram aproximar não apenas aqueles indivíduos de duas nacionalidades distintas em um ato de comunhão lúdico, mas todas as pessoas do globo que se reconheceram ali, em sua humanidade.

Não caio nessa balela de que criança é um ser puro. Adultos não adquirem ganância, egoismo ou intolerância como vírus. Tudo isso já existe em nós desde a mais tenra infância. Porém, da mesma forma, existe a honestidade, a generosidade a compaixão. No fundo, o que vemos de diferente nas crianças é o sentimento que elas podem ser melhores do que nós, como se pudessem começar do zero.

O que esta obra nos comprova é que a criança que existe em nós só morre se deixarmos.

Por isso, mesmo enquanto adultos temos autonomia para escolhermos aquilo que desejamos cultivar e esta escolha é diária, sem prazo determinado e podendo ser renovada sem multa por atraso. Enquanto formos criança salvaremos o mundo!

por Maria Manuela Moog em colunas, Arte e Percepção.

Manuela Moog é graduada em Artes Cênicas e pós-graduada em Arte e Filosofia pela PUC-Rio. Se encantou pelo universo artístico aos sete anos quando interpretou um doende na peça de teatro da escola, e desde então é uma operária da arte. Diretora, dramaturga, atriz e curadora. Faz parte da Cia.pontoDoc, companhia de teatro engajada em pesquisas artísticas socialmente relevantes. Acredita que pessoas interessadas são pessoas interessantes e a melhor forma de absorver experiências é pelo afeto. Por isso, procura criar e fomentar arte em todas as esferas. Instagram @manuelamoog