Viajando pelos arredores de Amsterdam e pelas minhas raízes

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Elisa Roorda

Estas últimas duas semanas foram muito viajadas. Por aí afora e aqui por dentro também. Me conectei com uma parte da família da qual tinha menos contato e foi muito, mas muito especial. Viajamos para vários lugares para encontrar a turma toda e, a cada parada, mais uma peça do quebra-cabeça da família ia se encaixando. Tantas histórias novas, tantas outras que eu já conhecia mas que foram recontadas por outro ângulo, tantas fotos recheadas de mais histórias e descobertas, almoços e jantares cheios de carinho e comida gostosa, muitas risadas, passeios de barco, caminhadas na praia, pedaladas (lógico) e até rolou uma dança no meio de um restaurante, de tanta felicidade!

Como é lindo e importante entender de onde viemos. Nossas raízes, nossos antepassados, o que nos trouxe até aqui e o que em grande parte nos faz o que somos hoje. Me vi em muitos destes familiares, vi minha família, vi meus filhos, entendi muita coisa. Ainda me emociono de lembrar estes encontros que pareceram reencontros. Foi realmente um se achar, se entender. Uma sensação de pertencimento, que deu um quentinho no coração.

Fora o orgulho de me sentir parte de um povo tão especial! Já estamos nos sentindo mais locais, somos amigos dos vizinhos, encontramos outras famílias no parque e no parquinho com frequência, já não ligamos para o tempo maluco daqui (chove e para 50 vezes por dia) e aos poucos fomos entendendo porque as crianças holandeses são tão felizes. Eu já tinha lido textos e estudos sobre o país ser o primeiro colocado no ranking da Unicef que determina a qualidade de vida de crianças de diversos países, mas ver na prática é mais legal. As crianças tem liberdade, tem segurança, não são criadas para competir e sim para cooperar, são ensinadas desde cedo e não terem apego, aprendem a conviver com a adversidade deste tempo doido desde que nascem, pedalam muito (aquela brisinha no rosto e o gasto de energia são maravilhosos na vida dos pequenos), a cidade tem muito verde e os pais tem tempo de verdade para estar com elas. A relação dos grandes com os pequenos também é linda demais de se ver. Além do tão valioso tempo, ainda tem transparência, confiança, liberdade e responsabilidade. Tudo isso junto dá um caldo especial e ajuda a criar serzinhos mais confiantes, responsáveis, emocionalmente maduros e, o mais importante, felizes! É tudo muito inspirador.

Mas voltando às nossas viagens e falando agora da parte prática, foi tudo fácil demais. Como tudo por aqui. Juro que em alguns momentos foi mais fácil pegar um trem e ir pra cidade vizinha do que ir até o centro agitado e turístico de Amsterdam. Os trens são frequentes, saem no horário e com crianças é uma diversão. Eles adoram ir vendo a paisagem e os menores podem dar uma corridinha pelos corredores para esticar as pernas. E tem cidades que ficam a 20 minutos de trem! Tipo ir da Vila Madalena pra Vila Nova Conceição visitar minha irmã.

Mas se trem já não for novidade e você quiser inovar, aluga um carro elétrico! Quando fizemos uma viagem mais longa, resolvemos testar o brinquedinho. É algo realmente de outro mundo. Faz barulho de nave espacial e você carrega na tomada. Tão engraçado e prático e óbvio e avançado ao mesmo tempo! Vai ser difícil voltar pra realidade do carro barulhento, poluidor e que precisa ser abastecido num posto com cheiro de gasolina.

Seja de trem, de carro elétrico ou de bike, explore esse país maravilhoso! Lugar de gente feliz, do tempo doido, dos amantes de bicicletas e que tão bem nos acolheu. Deixo aqui algumas dicas e pequenas histórias dos lugares mais especiais que visitamos e já vamos nos preparando para a próxima parada: Londres.

Delft
Fomos encontrar um primo que mora em Delft, uma das cidades mais antigas da Holanda, que fica nos arredores de Amsterdam. Ela é muito conhecida pela porcelana (aquela típica branca e azul), por ter uma das melhores universidades do país, por ser o lugar onde se encontram os túmulos de toda realeza e por ser a cidade de Johannes Vermeer (aquele pintor da Moça com brinco de pérola). Foi muito fácil e gostoso! Fomos de trem, levou apenas 45 min. e a cidadezinha é uma graça. Uma versão menor, mais romântica e mais tranquila de Amsterdam. E ainda chegamos lá num sábado, quando estava rolando um mercadinho de pulgas irresistível de onde meu marido saiu com uma câmera antiga de filme que vai nos ajudar a registrar a viagem de uma forma mais especial.

Hilversum
Outro final de semana em família, e lá fomos nós para Hilversum, uma cidade bem perto de Amsterdam. Ela é mais recente, mas nem por isso menos charmosa. Tem um centrinho cheio de cafés, restaurantes e lojinhas bacanas. Também tem parques lindos e é conhecida por ter vários prédios do famoso arquiteto holandês modernista Willem Dudok. Fomos de carro, mas é muito fácil e perto para ir de trem também.

Haia e Madurodam
Quando descobrimos que um dos tios morava em Haia, logo perguntamos se ele sabia algo de Madurodam, uma cidade miniatura que visitei com 14 anos de idade e que tanto me marcou. Ele disse que dava para ir andando da casa dele! E esse foi um dos programas mais divertidos para as crianças. Lá dá pra ver as principais atrações do país todo, mas em miniatura. E tão bem feitos que quase não dá pra acreditar. O Martin deve ter passado uma semana sonhando com todos os mini aviões, mini barcos e mini carros que ele viu. Fomos de trem, levou uma hora, e na própria estação já dá pra pegar o tram e ir direto pra Madurodam.

Muiderslot
Na volta da nossa viagem de carro, resolvemos parar em Muiden, uma cidade bem próxima de Amsterdam (30min) que tem um castelo lindo de 1.280. Todos nós adoramos explorar um castelo de verdade de 700 anos e depois almoçamos ali pertinho, em um restaurante local. Dá pra ir de trem também. Fácil e perto.

Amsterdam
Oosterpark e Hotel Arena
Mas nem todos os parentes moram fora de Amsterdam, então ainda fizemos alguns passeios pela cidade. Um dia fomos encontrar uma prima e os pequenos dela no Oosterpark. Nos encontramos num brinquedão super divertido e quando a fome bateu e o tempo fechou fomos almoçar no Hotel Arena, que fica ali perto, tem uma comidinha deliciosa e espaço fora com uma horta para os pequenos se divertirem.

Foodhallen
Num dia chuvoso, resolvemos tentar um passeio mais coberto. Fomos até o Foodhallen, que é um galpão enorme, cheio de barracas de comida típicas de diversos países e que funciona de dia e de noite. Rola até música em alguns dias! O legal é que cada um pode escolher o que quer e nos juntamos todos em uma mesa para comer. E na parte de trás ainda tem várias lojinhas bacanas (a The Maker Store é a mais bacana) e uma biblioteca com um café super gostoso e kids friendly (Cafe Belcampo). Com direito a um cantinho de brinquedos e tudo.

Sir Hummus
Num dia em que a gente estava à toa e sem vontade de cozinhar em casa, resolvemos sair mais cedo e explorar o Pijp, aquele bairro bacana que já falei em outro texto. Descobrimos um lugar delicioso e que nos surpreendeu muito! O Sir Hummus. Eles tem poucos pratos, todos com o hummus maravilhoso que eles fazem por lá, e o lugar e os atendentes são uma graça. E depois ainda fomos no Massimo Gelato, que já falei em outro texto, que fica ali do lado e vale mais de uma visita.

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por Elisa Roorda em viagem.

Elisa Roorda, 39 anos. Mãe orgulhosa de 3 criaturinhas: Nina, Sofia e Martin. Publicitária pela ESPM, e dona de uma carreira abandonada na área de marketing esportivo. Fundadora do Mamusca, um espaço mágico que segue funcionando nas mãos de outras fadinhas. Pregadora do livre brincar, da conexão, da presença, do encantamento pelo mundo. No momento viajando o mundo com toda a trupe.