A arte de viajar em família: 8 lições que aprendi com meus filhos

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Vivian Wrona Vainzof

Cheguei de viagem com a família e estou desfazendo as malas de aprendizados que trouxe de lá.

Primeiro guardei os patinetes, que levamos para suavizar as caminhadas. As calçadas sem fim, da cidade que não dorme nunca, foram um tapete macio e as perninhas curtas estiveram mais dispostas nos dias longos.

Depois guardei os chocolates e as balas mais diferentes que encontramos, na contramão da minha resistência ao consumo de açúcar. Se a ideia de viajar é experimentar, não vale só experiências que eu julgar valiosas.

Guardei as mochilas das crianças, que ainda tinham restos de biscoito e um suco. Nós não fizemos incursões gastronômicas, as refeições foram acontecendo pelo caminho e o caminho foi se definindo no passeio. Nesse passo, ter alguma coisa sempre a mão foi um atalho para desviar da fome que faz desandar as férias.

Tirei do bolso o troco do dinheiro que incumbi a cada criança cuidar. A responsabilidade deles era tomar decisões próprias sem extrapolar o que tinham. Achei interessante ver um gastar tudo num brinquedo caro e o outro ir desembolsando aos poucos em coisa miúda. Cada um a seu modo, eles sentiram na pele a importância de escolher e renunciar, de não saber o que virá, de se arrepender e de valorizar o que têm. Também vi generosidade e gratidão dando as caras nessa impagável experiência.

A viagem com filhos tem outro ritmo e outras prioridades. Demoramos uns dias para entender isso e perceber que brincar na praça ou assistir ao vôo das borboletas não é perda de tempo, mesmo deixando cartões postais sem visitar. Que comer com calma e alongar as pausas é fundamental.

E quantos museus se pode devorar num mesmo dia, ou numa semana? Aprendi com meus filhos que a visita é mais significativa se ela durar apenas o tempo do prazer. A vida está aí para eles sentirem Matisse, Monet, Portinari e descobrirem como a arte faz desabrochar os sentidos. Eu plantei a semente.

Foi uma viagem solta, sem programação nem compromisso. Andamos, sentamos, olhamos, nos falamos e nos ouvimos. Se não conhecemos todos os museus, descobrimos uns aos outros. Se não visitamos tantos pontos turísticos, pudemos nos revisitar.
Coloquei a mala vazia no armário.

Preferi guardar embaixo do colchão as experiências mais autênticas, que não estão em guia e que ninguém recomendou. Aquelas que são a cara da nossa família e que ninguém nunca mais vivenciará da mesma forma, nem mesmo nós quatro.