A importância do repertório emocional

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Lia Vasconcelos

Não é fácil falar das nossas emoções. Nem sempre compreendemos o que sentimos. Mais raro ainda é conseguirmos expressá-las com clareza. A verdade é que nosso repertório emocional é, geralmente, muito pobre. E se não conseguimos entender bem o que sentimos e não conseguimos expressar esse sentimento de forma clara, como podemos ensinar para xs nossxs filhxs?

Ternura, amor, ódio, raiva, irritação, tensão, alívio, serenidade, felicidade, alegria, tristeza, compaixão, remorso, culpa, vergonha, insegurança, timidez, decepção, confusão, prazer, gratidão, inveja, desejo, orgulho, hostilidade, desamparo, incompreensão, euforia, desalento, frustração, satisfação, entusiasmo…a lista poderia ser infinita! A questão é: sabemos explicar o significado de cada um desses sentimentos? Como explicar, por exemplo, a diferença entre raiva e ódio? E entre alegria e euforia? Difícil, né?

Nomear os sentimentos é fundamental para aumentarmos o repertório emocional – nosso e das crianças. Quando conseguimos identificar e nomear o sentimento, conseguimos também lidar com ele de forma mais saudável.

É importante entender que tornar-se emocionalmente inteligente leva tempo e depende de investimento pessoal. Se queremos criar crianças emocionalmente saudáveis, o primeiro passo é ter autoconhecimento e repertório emocional. Falar das nossas emoções é um grande começo, bem como reconhecer os sentimentos das crianças. E reconhecer, de acordo com o modelo da Parentalidade Positiva desenvolvido pela portuguesa Magda Gomes Dias, é apenas dizer o que estamos vendo, validando o sentimento dxs pequenxs.

Ter um amplo repertório emocional é, portanto, meio caminho andando para a criança tomar consciência de si e aprender a gerir suas emoções. Com isso, basicamente, ensinamos nossxs filhxs que todos os sentimentos são legítimos e que, a partir deles, precisamos fazer boas escolhas e tomar boas decisões.

As boas escolhas não são fruto de sorte, mas são um reflexo de um pensamento saudável sobre nós mesmxs (autoestima) e sobre o mundo, como nos ensina Magda, em seu livro “Crianças felizes – o guia para aperfeiçoar a autoridade dos pais e a autoestima dos filhos”.

A leitura nos ajuda em muitas conversas com as crianças, em muitas situações, e esta é uma delas. Recomendo, por exemplo, o livro “Emocionário”, da Editora Sextante, que, como explica a contracapa, é um dicionário de emoções que nos ajuda a entender melhor o que se passa no nosso coração. Como descrever o amor? O que você sente quando está com medo? De onde vem a alegria? Por que sentimos inveja?

Conhecendo nossas emoções, conseguimos nos expressar com mais assertividade e ensinar isso para as crianças vale ouro.

por Lia Vasconcelos em colunas, Parentalidade Positiva.

Lia Vasconcelos é mãe de duas meninas e originalmente formada em Jornalismo e Ciências Sociais. Se encantou com os modelos da disciplina positiva e da parentalidade positiva e se certificou pela Positive Discipline Association (EUA) e pela Escola da Parentalidade (Portugal). Me encontre no @liavasco_educacao ou escreva para liavasco75@gmail.com para informacões sobre workshops.