Como criar crianças resilientes e com boa autoestima?

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Lia Vasconcelos

A lista de habilidades de vida que desejamos que nossxs filhxs desenvolvam costuma ser enorme. Queremos que as crianças sejam empáticas, respeitosas, cooperativas, alegres, amorosas, generosas, honestas, tenham uma boa autoestima, sejam éticas, corajosas, bondosas, resilientes, confiantes, determinadas…enfim….a lista é grande e fica a questão: o que nós, como mães e pais, podemos fazer para criar pessoas com essas habilidades tão importantes para que sejam adultos emocionalmente saudáveis?

A Disciplina Positiva (DP) acredita que ao fazermos uma escolha diária e consciente pelo caminho do meio da gentileza e da firmeza, sem resvalar nem no autoritarismo nem na permissividade, contribuímos, e muito, como mães e pais, para o desenvolvimento dessas habilidades de vida tão fundamentais para a inteligência emocional. Conduzir pelo exemplo, usando os comportamentos desafiadores para ensinar habilidades de vida, é um dos pilares fundamentais da DP.

Para desenvolvermos a resiliência e a boa autoestima, mais especificamente, a portuguesa Magda Gomes Dias, criadora do modelo da Parentalidade Positiva, dá alguns bons caminhos que vou compartilhar com vocês.

Segundo ela, “uma criança que é emocionalmente inteligente é aquela que sabe tomar as melhores decisões. Essa competência depende grandemente do tipo de experiências que vai ter durante a sua infância. Quanto mais positivas forem essas experiências, mais forte e emocionalmente segura será a criança. Quando pretendemos educar uma criança com base na inteligência emocional, teremos mais sucesso se iniciarmos a nossa própria educação emocional. Pais felizes = filhos felizes, afinal, comportamento gera comportamento”.

Para ela, são cinco os pontos fundamentais da inteligência emocional:

  1. Autoconhecimento;
  2. Autoregulacão emocional;
  3. Empatia;
  4. Clareza;
  5. Pensar positivo.

Um bom começo é dar nome ao que sentimos. Já falei aqui nesse espaço sobre a importância de termos um bom repertório emocional. Só para relembrar, Robert Plutchink identifica oito emoções primárias: raiva, medo, tristeza, nojo, surpresa, curiosidade, aceitação e alegria. As cinco emoções básicas são medo, alegria, raiva, tristeza e afeto. Para tornar-se emocionalmente inteligente leva-se tempo e depende de um grande investimento pessoal. O primeiro passo é autoconhecimento e repertório emocional. Falar das nossas emoções é um importante ponto de partida e reconhecer e validar os sentimentos das crianças é fundamental. Afinal, reconhecer nossas emoções possibilita que consigamos geri-las e isso vale tanto para nós, adultos, como para as crianças.

De acordo Magda, autora de “Crianças felizes”, entre outros livros sobre Parentalidade Positiva, “se, por um lado, o repertório emocional é meio caminho andado para a criança tomar consciência de si e gerir suas emoções, por outro, uma autoestima saudável ajuda-a também a tomar as melhores decisões. Boas escolhas não são sorte, mas o reflexo de um pensamento saudável sobre si e sobre o mundo porque as escolhas são processos emocionais”. Ela define autoestima como o valor que atribuímos a nós próprios e que está em consonância com os nossos valores.

Ainda segundo Magda, a promoção da autoestima nas crianças abrange seis competências fundamentais: autoimagem, autoconfiança, respeito por si e pelos outros, capacidade de se comunicar, autodisciplina e resiliência.

Para fazer isso, lembre-se desses pontos:

  1. Respeite a natureza dx filhx;
  2. Crie memórias positivas e fale delas com frequência;
  3. Contato;
  4. Ensine-x a não se levar tão a sério;
  5. Seja grato;
  6. Ensine-x a fazer coisas sozinho;
  7. Respeito mútuo;
  8. Famílias felizes deitam-se com as pazes feitas;
  9. Seja feliz primeiro.

A base de uma autoestima saudável tem, portanto, muito a ver com uma criança encorajada que se sente importante e pertencente, conceitos fundantes da Disciplina Positiva.

E a resiliência? Como estimulá-la nas crianças? Magda aposta no modelo GROW:

G (Goal): Definição do objetivo da sessão

R (Reality): O que está acontecendo agora?

O (Options): Que opções tem?

W (Will): O que deseja? Como é que isso vai acontecer?

Segundo ela, “quando a criança é questionada ela encontra suas respostas e não as recomendações ou palpites constantes do adulto. Assim, trabalhamos sua responsabilidade, o encontro das soluções e a apropriação das respostas. Muitas vezes, damos a respostas para os nossos filhos, ou insistimos ou os obrigamos a fazer algo quando o ideal é que eles façam porque entenderam o interesse em fazê-lo”.

Leia todos os textos da coluna Parentalidade Positiva, assinada por Lia Vasconcelos.

por Lia Vasconcelos em colunas, Parentalidade Positiva.

Lia Vasconcelos é mãe de duas meninas e originalmente formada em Jornalismo e Ciências Sociais. Se encantou com os modelos da disciplina positiva e da parentalidade positiva e se certificou pela Positive Discipline Association (EUA) e pela Escola da Parentalidade (Portugal). Me encontre no @liavasco_educacao ou escreva para liavasco75@gmail.com para informacões sobre workshops.