Conheça como funciona uma escola Montessori Bilingue

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Vivian Mozas, na Senses School
Vivian Mozas, na Senses School

Conversamos com a educadora Vivian Mozas, fundadora e diretora pedagógica da Senses Montessori School na zona sul da capital paulista, para entender como funciona uma escola Montessori Bilingue. O resultado é uma verdadeira aula sobre o Método Montessori. Não perca!

O método Montessori ainda é pouco conhecido no Brasil. Conte para nós quais os princípios da filosofia.

Maria Montessori foi uma médica italiana que observou o desenvolvimento de crianças no fim do século XIX e descobriu que crianças com liberdade de escolha são mais motivados e aprendem naturalmente. Por isso, o método criado por ela tem como princípio permitir que a criança tenha esta liberdade em um ambiente preparado que incentive sua autonomia, aprendizado prático e vivências em grupo. Neste contexto favorável, ela é capaz de se autoeducar.

Para aplicar o método genuinamente, na Senses Montessori School as salas possuem móveis projetados para a estatura de cada idade e os educadores são preparados para serem exemplo ao mostrar como explorar este ambiente, mas permitem que essas descobertas sejam realizadas pelas crianças, pela manipulação de materiais projetados para desenvolver suas habilidades.

As crianças tem acesso a materiais que trabalham o desenvolvimento motor, cognitivo, linguístico, matemático e sensorial, além de atividades cotidianas como lavar a louça, montar um arranjo de flor para a sala ou dobrar o próprio uniforme, que são exercícios chamados no método como Vida Prática, importantes para coordenação motora, confiança e autonomia, e que ajudam no desenvolvimento de um senso colaborativo e de respeito ao ambiente e à natureza.

Há iniciativas consolidadas no país? Quais as referências?

São dezenas de milhares de escolas Montessori em todo o mundo. Apenas nos Estados Unidos são mais de oito mil. No Brasil, não possuímos instituições que fiscalizam as escolas como nos Estados Unidos. A informação que temos aqui é que cerca de 50 escolas se consideram montessorianas de acordo com a Organização Montessori do Brasil.

Acredito que temos no país dois grandes desafios para difundir o método para mais famílias. O primeiro é de garantir a sua aplicação genuína, da forma proposta por Maria Montessori, nas escolas que já se consideram montessorianas. Temos um cuidado muito grande de fazer isso na Senses Montessori School. E o segundo é dar acesso à capacitação de educadores e famílias, o que acredito ser fundamental. Hoje, há apenas em São Paulo um curso para certificar professores para aplicar o Método Montessori com crianças a partir de 3 anos. Outras iniciativas de formação acontecem no Rio de Janeiro e no Sul do país, mas ainda não reconhecidas pelo MEC.

Eu mesma precisei buscar em Chicago a minha formação para crianças de 0 a 3 anos. Passei por vivências em escolas americanas, me certifiquei pelo MACTE – Montessori Accreditation Concil for Teacher Education, tive contato com especialistas no Método no Brasil e no exterior e hoje tenho mentores e parceiros que me ajudaram a tornar possível também um projeto de capacitação de profissionais em Montessori no Brasil, justamente para contribuir com esta formação. Já realizamos neste ano na Senses o primeiro curso de formação de assistentes de sala Montessori de zero a seis anos, aberto para qualquer profissional de educação. Atualmente estou trabalhando em uma Pós Graduação em Método Montessori para crianças de zero a três anos, prevista para janeiro de 2020; em cursos de formação para professores e também em cursos livres para famílias, babás e educadores.

Além de escolas, o Método Montessori pode ser aplicado em outras iniciativas que visam a educação e desenvolvimento de crianças e jovens. A Fundação irmã Ruth de Maria Camargo Sampaio, uma ONG de Campinas fundada na década de 70 para acolher crianças órfãs e abandonadas, é um exemplo de instituição que aplica o Método em seus programas de inclusão de crianças e jovens com excelência há muitos anos.

Como funciona uma escola Montessori? Quais as principais diferenças em relação à educação tradicional?

Na escola Montessori a criança tem acesso a todo o conteúdo que é exigido na BNCC - Base Nacional Comum Curricular, proposta pelo MEC, que também é abordado na escola convencional. A diferença é na forma como ele é apresentado, que traz ganhos em relação à apresentação do conteúdo subjetivo. A ciência já confirmou o que Montessori experimentou quando desenvolveu o método - as crianças aprendem mais rápido por experiências sensoriais e manipulando materiais concretos.

Por isso, uma sala de aula Montessori é um ambiente preparado e organizado. A disposição dos materiais, a limpeza do ambiente, a luz natural que entra pelas janelas e o contato diário com a natureza também são elementos que trazem tranquilidade, independência e ordem para a criança.

O educador tem o papel de despertar o interesse pelas várias áreas de conhecimento, mas a criança tem a liberdade de trabalhar com o material que lhe chama a atenção naquele momento. Isso é muito importante para o desenvolvimento da sua autoconfiança, inteligência emocional e concentração.

Os materiais são dispostos dos mais simples aos mais complexos, do concreto ao abstrato. Todos possuem o que chamamos de “controle de erro”, que permitem à própria criança, à medida que experimenta a atividade, perceber sua evolução, trabalhar no desafio e principalmente descobrir seu próprio erro. Ela solicita ajuda do educador apenas se sente esta necessidade. As atividades são desenvolvidas individualmente ou em grupo, sempre respeitando a individualidade de cada criança. Por isso as salas Montessori são preparadas para receber um grupo mais heterogêneo de crianças, que não precisam ser separadas por idades.

A ideia de salas mistas deve causar estranheza para alguns pais… conte mais, quais as vantagens?

As salas heterogêneas trazem muitos ganhos para o desenvolvimento socioemocional dos nossos alunos. Em qualquer situação social vivida por crianças ou adultos, somos expostos a pessoas com outras bagagens e de todas as idades. Em famílias com mais de um filho, é muito natural esta relação de troca entre crianças de diferentes fases.

Ao ingressar em uma sala onde a criança é a mais nova, ela terá os mais velhos como exemplo, será acolhida e ajudada por eles. À medida que esta criança vai se tornando a mais velha, trabalhamos nela o perfil de liderança e cuidado com os mais novos.

Na Senses, temos um ambiente que acolhe crianças de 4 a 18 meses, na sala que chamamos de Bebê Cientista, onde a preocupação é manter o atendimento individual e a rotina que esses bebês têm em casa. Nos momentos de atividade, os bebês têm acesso a experiências sensoriais e motoras que ajudem no desenvolvimento desta fase. A sala Cientista Júnior recebe crianças a partir de cerca de 18 meses. O andar firme é um indicador de que ela está preparada para trabalhar outros aspectos da autonomia e do desenvolvimento. A partir dos três anos, a Sala Cientista Sênior permite um ambiente de aperfeiçoamento de capacidades motoras, desenvolvimento da concentração com atividades de começo, meio e fim e descobertas que introduzem as áreas de linguagem, matemática, ciências e conhecimento de mundo. Temos como hábito também realizar atividades de interação entre as salas, como um picnic no lanche em um dia de sol, para aproveitar ainda mais a nossa área verde. Nesses momentos de brincar livre as crianças também têm oportunidade de convívio e respeito com os maiores e menores.

Quais os desafios para os pais que optam por uma escola Montessori? Como devem se preparar?

Não vejo desafios ou necessidade de preparação. De forma geral, a nossa sociedade é habituada a tratar os bebês como incapazes e é o que nós, como pais, aprendemos a fazer também. As crianças não têm autonomia para segurar seu próprio copo, a comida é dada na boca e o adulto decide a quantidade necessária para o bebê sentir-se satisfeito. Quanto os adultos têm acesso ao Método Montessori, ao conhecer a nossa escola, é simples perceber que à medida que as crianças adquirem capacidades motoras básicas, elas são capazes de desenvolver autonomia e realizar pequenos desafios que as motiva para novas experiências. E que isso acontece naturalmente e as torna mais felizes, realizadas com cada conquista.

O conselho que dou a todos os pais, não apenas os que optam por uma escola Montessori, é ler sobre desenvolvimento infantil, conhecer os principais marcos de desenvolvimento e permitir às suas crianças essas experimentações. De forma segura, adaptar a sua casa para o olhar da criança. Por exemplo, colocando um banquinho seguro para ela acompanhar o preparo de uma refeição na bancada, ao lado do adulto, ou permitindo que ela manipule os talheres durante uma refeição. Eles irão se surpreender com a capacidade delas.

Você é fundadora de uma escola Montessori bilíngue. Como fazem para alinhar os dois objetivos? Há profissionais preparados no mercado?

Não é simples encontrar profissionais com todas essas habilidades, especialmente com formação no método, pelos desafios de acesso à capacitação que ainda enfrentamos no Brasil. Por isso, também investimos muito no treinamento da nossa equipe. Temos uma rotina permanente de formação interna e acompanhamos o desempenho em sala dos nossos educadores o tempo todo.