Empatia no mundo das telas

Maria Cristina Labate Mantovanini

Annie Spratt
Annie Spratt


Empatia é o processo de colocar-se no lugar do outro, de sentir com outro e solidarizar-se com sua dor.

Podemos dizer que empatia e diversidade caminham juntas, pois só consigo ser empático se consigo enxergar o outro em sua singularidade e diferença.

Empatia é um sentimento. E sentimentos não são ensinados, são domesticados, compreendidos, digeridos e transformados.

Os sentimentos são frutos das vivências e relações estabelecidas ao longo da nossa vida, através das nossas relações, primeiro na família, depois na coletividade.

Desde a mais tenra infância, por meio da educação que recebemos, dos pais e da escola, somos conduzidos ao mundo social, aprendendo a conviver com as outras pessoas e com as diferenças.

Desenvolver a empatia é um processo complexo e longo, implicando, muitas vezes, repressão e abdicação de desejos. Porque ser empático pressupõe enxergar a existência do outro, da realidade, dos nossos limites e de nossa impotência.

Nós, seres humanos, precisamos do outro para a construção de nossa identidade e para nossa

sobrevivência, física e emocional. Mas, estar com o outro nunca foi tarefa fácil. No mundo atual tal tarefa tornou-se ainda mais difícil

Quem é o outro para o sujeito contemporâneo no mundo das telas?

Como criar laços de identificação e se tornar empático quando o outro é a internet, o Google, as mídias sociais? Esses espaços voláteis, de compromisso ético e emocional efêmero.

Escondidos atrás das telas, nossos filhos, na redoma dos nossos lares, aparentemente protegidos do mundo externo, do diferente, que tanto nos assusta, podem estar sendo expostos a outras formas de hostilidades.

Como, então, ajudar as crianças e os adolescentes a se tornarem empáticos?

Penso que nós, pais, professores ou terapeutas, temos que nos colocar como modelo de um outro disponível, no qual se possa confiar e dar as mãos, para delicadamente, ir adentrando nas margens do mundo. Mundo esse que nos assusta pela sua imensidão e diferenças. Mundo esse, também, que tanto nos atrai pelas suas inúmeras aventuras e possibilidades. Tornar-se empático é não ter medo de se conhecer, de lidar com nossos limites, estranhezas e incompletudes. Aceitando-nos, podemos acolher o outro, sem julgamento e sem idealizações.

por Maria Cristina Labate Mantovanini em colunas, educação, diversos.

Maria Cristina Labate Mantovanini. Doutora em Psicologia da Educação pela USP.Psicanalista membro associada da SBPSP com longa experiência em atendimento clínico de crianças e adolescentes e suas familias. Autora do livro “Professores e alunos problema: um círculo vicioso ” (FAPESP e Casa do Psicólogo). Coordenadora de grupos de reflexão de educadores e pais.