Entrevista com artista Ronaldo Mendes

Lina Brochmann

Conheça um pouco mais sobre a carreira do artista plastico Ronaldo Mendes, cujos personagens ganharam vida no espetáculo Jorginho e o Dragão Camaleão, em cartaz no Espaço Promon.

​1. Quando você começou a pintar?

Aos 35 anos de idade, depois de tentar ser varias coisas nessa vida (comerciante , empresario , funcionário, até mesmo um lutador de boxe - por oito anos!, onde dei aulas em uma academia) e quando decidi ser artista. Foi do nada!...incrivel !...um belo dia eu pensei…vou ser Artista plastico, entao comprei livros, olhava gravuras e mais gravuras. Até que um dia ao ir buscar meu filho na escolinha eu reparei bem nos desenhos dele e dos seus amiguinhos, entao percebi onde estavam os verdadeiros artistas, os mais expontâneos, os que não se contaminaram com o mundo moderno ... daí percebi que a beleza está nas coisas simples, porém feitas com o coraçao e sem a responsabilidade de ter,ser e de vender ... assim nasceu meu estilo próprio de pintar, sem compromisso, assim nasceu o estilo Ronaldo Mendes.

2. Qual a sua técnica utilizada?

Eu pinto com tinta acrilica e massa acrilica sobre tela, mas a mais importante das tecnicas é a paixao pelo que se faz

3. Antes de começar uma pintura, você faz um croquis/esboços ou vai direto à tela?

Eu nao sou nada sem meus desenhos, faço os desenhos antes em um papel qualquer, nao sou dos que tem de ter um papel especial para desenhar - gosto de usar papeis como os de pão, guardanapos, costas de papel de propaganda (panfletos), adoro quando me entregam em um sinal de transito um papel de propaganda, vou logo olhando o que tem atras e quando vejo que esta em branco!!!...ganho o meu dia ...ali começa um quadro!!!...isso tem uma explicaçao, o fato de usar uma folha de papel oficio ou papel canson tem um peso , eles tem um custo alem de serem branquinhos e o Branco nos cobra uma certa postura, como por ex… olha o que voce vai fazer comigo !!... isso para quem simplesmente quer desenhar por desenhar é um martírio. Ja em papeis que sao descartados esses sim nao nos cobram nada.

4. Qual seu tema preferido e por quê?

Gosto dos temas religiosos, sou Mineiro de Belo Hte e ja viajei demais pelas Minas Gerais. Nessas cidades históricas em cada esquina tem uma igreja, muitas cidadezinhas começaram ao redor das igrejas é uma coisa cultural, entao eu junto essas vivencias com as lembranças dos tempos de criança, aliando as minhas lembranças com a imaginação

5. Você é auto-didata?

Sim. No início da carreira até tive interesse em fazer cursos, mas como tinha na minha mente o que queria pintar, tive receio de ser influenciado por escolas ou professores de artes. Optei pelo caminho mais dificil mas nao me arrependo

6. Você pode falar um pouco sobre arte naïf?

A arte Naif é pura manifestação de se representar o que é belo, através de traços simples, cores primárias, sem compromisso acadêmico e perspectiva. A arte Naif não é uma arte que se aprende em escolas.. tanto que não existe uma Universidade que ensine Arte Naif, ela nasce com a pessoa.

7. Qual foi a primeira apresentação pública de seu trabalho (exposição etc…)?

Minha primeira exposição foi em um Restaurante/Galeria em Belo Horizonte chamado “Casa dos Contos” organizada pelo curador Palhano Júnior, onde dos 18 quadros expostos vendi 17, e á partir daí descobri que poderia viver como um artista.

8. Quais são seus principais meios de divulgação ou venda de seus trabalhos?

Hoje minha principal vitrine é a internet, principalmente o facebook. Tenho poucos quadros prontos, trabalho muito sob encomenda.

9. Você vende apenas telas ou também reproduções (impressões em diversas mídias)?

A venda de gravuras veio da necessidade em atender a grande parcela de admiradores do meu trabalho que não tinham meios de investir em uma pintura original. Mas como diferencial, procuro tornar mesmo a gravura uma peça única, elas são impressas em canvas (tecido das telas) retocadas uma a uma nas cores dos quadros, assinadas e vendidas tb sob encomenda.

10. Nos conte sobre a sua parceria com a Articularte? Conheci o Dario e a Cia Articularte em Santa Catarina durante o FITA (Festival Internacional de Teatro de Animação) na UFSC, onde fui convidado para falar dos meus quadros, contos e textos. Lá eu tive o prazer em assistir ao espetáculo “Villa Lobos e o trenzinho Caipira”. Lembro-me que enquanto assistia sonhava com uma peça com meus personagens representados tb dessa foram como acontecia com Villa Lobos. Então o que parecia apenas um sonho impossível aconteceu com o Dario me chamando e falando de sua intenção. Fiquei muito feliz em ser escolhido por essa grande companhia e em saber que meus quadros de certa forma ganhariam vida nas mãos dos manipuladores talentosos daquela Cia de teatro.