Extracurricular ou extraordinária?

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Maria Manuela Moog

Seu filho é extrovertido? Aulas de teatro são ótimas para explorar este lado.

Sua filha é muito agitada? Quem sabe umas aulas de judô não podem ajudar a liberar esta energia de forma mais focada?

Seu filho tem uma sensibilidade muito aflorada? O Butoh é uma dança japonesa que é ao mesmo tempo sensível e potente - boa mistura, não?

Sua filha é tímida? A capoeira é uma atividade linda que mistura a magia da música, a criatividade da dança, a potência do combate, sendo coletiva e individual ao mesmo tempo - que combo para lidar com a timidez, não?

Seu filho é muito rigoroso com ele mesmo? Nada melhor do que uma dança de ritmos dionisíacos para ele se deixar levar um pouco, concorda?

Sua filha é meio desfocada? Um Ballet clássico pode ser a resposta.

Não há resposta certa nem errada, há tentativas com boa intenção!

Mas se cremos que a arte tem poder de transformação, não podemos escolher uma atividade extra-curricular, (ou como eu gosto de chamar: “extraordinárias”) só porque a sua filha fica uma gracinha de ‘tutu’ e nem porque seu filho parece um homenzinho com quimono. Que as crianças possam usar esse tempo livre para lapidar sua potencialidade ou explorar uma camada ainda oculta! Evoé!

por Maria Manuela Moog em colunas, Arte e Percepção.

Maria Manuela Moog é graduada em Artes Cênicas, pós-graduada em Arte e Filosofia pela PUC-Rio e atualmente cursa o Mestrado na Universidade Nova de Lisboa. Se encantou pelo universo artístico aos sete anos quando interpretou um duende na peça de teatro da escola, e desde então é uma operária da arte. Acredita que pessoas interessadas são pessoas interessantes e a melhor forma de absorver experiências é pelo afeto. Por isso, procura criar e fomentar arte em todas as esferas.