O coelhinho da Páscoa foi processado. E agora, o que fazer?

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Maria Manuela Moog

O COELHINHO DA PÁSCOA FOI PROCESSADO.E agora, o que fazer?

Papel celofane de todas as cores. Sabores dos mais diversos. Os brindes mais apelativos. Os Ovos de Páscoa já estão por todo lado! Cada passada no supermercado para comprar um pão é um misto de “credo!” (pelos preços exorbitantes) e “que delícia!” (um sabor mais gostoso do que o outro). Uma verdadeira perdição!

Mas, o que realmente estamos perdendo em meio à esta oferta ultra abundante dos ovos embalados?

Outro dia, li uma matéria que dizia algo muito pertinente, “Em um mundo de processados a criança não aprende o que é processo”*. A autora oferece alguns exemplos, desde cortar e chupar uma simples laranja à feitura de brinquedos.

Com tantos ovos maravilhosos por todos os lados, me pergunto onde foi parar o lúdico em meio a tantas tentações.

Lembro que uma das coisas que mais amava na Páscoa era a caça pela cesta repleta de guloseimas. Minha avó paterna colocava chocolatinhos espalhados pelo jardim próximos à pegadas de coelho. Cada ano o Coelhinho ficava mais esperto, e eu também!

A minha avó materna me ensinou a fazer ovos de páscoa. Eu e minha irmã éramos as ajudantes especiais do Coelhinho da Páscoa e pintamos dezenas de ovos (de galinha, claro).

O processo era simples e gostoso:

1. Com delicadeza, fazer um furo pequeno na parte “debaixo” do ovo (aquela menos pontuda).

2. Retirar o conteúdo, lavar e deixar secar.

3. Com tintas coloridas decorá-los de várias maneiras.

4. Para o recheio, pode escolher fazer brigadeiro ou derreter chocolate. Ou alguma outra receita que apetecer, só mantenha em mente que o ideal é algo com com uma consistência mais para durinha para que o recheio não fique vazando.

Talvez, no dia a dia seja mesmo difícil abrir mão dos alimentos processados. Mas, de repente, em datas comemorativas valha a pena apostar em algo mais processual. A arte assim como o artesanato são atividades capazes de reconectar-nos com o processo e consequentemente valorizar mais os objetos, o tempo, a partilha.

Feliz Páscoa!​

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(Fundo foto criado por jcomp - br.freepik.com)

*Fonte

por Maria Manuela Moog em colunas, atividades em casa, diversos, arte e Percepção.

Maria Manuela Moog é graduada em Artes Cênicas, pós-graduada em Arte e Filosofia pela PUC-Rio e atualmente cursa o Mestrado na Universidade Nova de Lisboa. Se encantou pelo universo artístico aos sete anos quando interpretou um duende na peça de teatro da escola, e desde então é uma operária da arte. Acredita que pessoas interessadas são pessoas interessantes e a melhor forma de absorver experiências é pelo afeto. Por isso, procura criar e fomentar arte em todas as esferas.