O outro lado da moeda

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Vivian Wrona Vainzof

Mãe se culpa porque não amamenta, ou porque o filho faz birra, ou se não acompanha de perto a lição de casa, ou se a criança bate no amigo, ou se não se comporta na casa dos outros. E se culpa porque não comem direito, porque não gostam de ler, porque não obedecem ou porque não respeitam os professores. A lista não tem fim. São razões que se renovam todos os dias e que apedrejam as mães à noite. Não é preciso tribunal, mãe é um bicho bom de se açoitar sozinha.

A desculpabilização materna é o termo mais atual que entrou em voga tentando amenizar o peso nas costas tortas de quem carregou sobre os quadris uma carga desproporcional. E ainda carrega. A bagagem é nossa, ainda que compartilhada.

Dá para aliviar as mães que estão dando o melhor de si. Nenhuma mãe é culpada por tudo o que o filho faz, ou é, ou será. E o enjôo que vem com a culpa, não ameniza as costas nem o incômodo da barriga. Essa é a boa notícia. Liberte-se. Estamos aprendendo juntos. Pais e filhos têm a mesma idade, em matéria de parentalologia.

Mas tem outro lado, essa moeda. Se a mãe não é culpada de tudo - ou de nada - qual o papel dos pais?

Filho não é fruto do acaso e nem cai muito longe do pé.

A toada da desculpabilização é bonita e é legítima e é importante. Mas há um risco de varrer, com ela, toda a responsabilidade para baixo do tapete.

Crianças erram porque estão aprendendo e vão errar demais, ainda, os mesmo erros de sempre, talvez. Os filhos descobrem a vida experimentando e testando os pais. Vai dar trabalho, cansa, esgota, pesa nas costas tortas de quem vem fazendo isso há anos e já cansou de repetir, quer quase desistir. Se não há culpa nenhuma nisso, há consequências.

A culpa é uma espécie de colágeno na sociedade do consumo estético: não está comprovado que faz bem para a pele mas, também, que mal tem?

Com ou sem culpa, recomendo cuidar da pele e das escolhas com relação ao filhos. A responsabilidade é a mesma e ela é toda nossa.