Parque Estadual do Jaraguá - Deterioração e descuido em meio a tanta beleza

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Renata Portenoy

Último domingo das férias escolares, tínhamos que inventar algo diferente. Céu azul, ensolarado, temperatura média de 32° C.

Que tal o Pico do Jaraguá, aquele morro que conseguimos ver de quase qualquer lugar da cidade de São Paulo e de seus arredores? Ele está sempre lá, a nos observar de longe. Tinha chegado a vez de conhecê-lo de perto.

Pode-se chegar ao Pico por trilhas ou de carro. Para quem vai de carro, prepare-se: não há estacionamento e cada um para no canto onde encontra lugar, é um salve-se quem puder. A partir do ponto mais alto que o carro chega é obrigatório seguir a pé. São cerca de 240 degraus para se chegar aos 1.135 metros de altitude. Haja fôlego, mas vale a pena! Ao lado da escadaria, que só tem corrimão de um lado, estão os trilhos de um funicular que em algum momento deve ter funcionado, mas que não opera mais…

Lá de cima a vista é linda. Do ponto mais alto de São Paulo podemos ver as serras ao redor, os vales, pequenas cidades e, claro, o centro de São Paulo, com destaque para as antenas da Av. Paulista. Embora a vista seja esplêndida, o lugar está muito abandonado. Não há infraestrutura adequada e está cheio de camelôs vendendo de tudo.

Uma pena toda a falta de manutenção e de cuidado. O Pico do Jaraguá poderia ser o “Pão de Açúcar” paulistano!

Depois do Pico, fomos para o Parque Estadual do Jaraguá, que abriga um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica da região metropolitana de São Paulo. Após um gostoso piquenique e alguns jogos no gramado, fizemos a Trilha do Silêncio, que tem 1 km de ida e a volta. O percurso é bem fácil e pode ser feito em aproximadamente 40 minutos. A trilha, que leva esse nome devido à vegetação densa que abafa os ruídos das rodovias que cercam o Parque, é a primeira dentro de uma unidade de conservação adaptada para pessoas com necessidades especiais. Embora seja mesmo acessível, o caminho estava bastante descuidado em vários pontos. Macacos-prego com filhotes nas costas e saguis-de-tufos-brancos nos acompanharam em boa parte do caminho. Uma graça!

Antes de chegar à trilha passamos pelo Casarão de Afonso Sardinha, construído por volta de 1580 e que é uma das mais antigas construções ainda em pé no Estado. Sardinha foi um bandeirante que descobriu vestígios de ouro no Ribeirão Itaí, que fica no Pico do Jaraguá e, por isso, resolveu se estabelecer na região. A casa tem 21 cômodos e as paredes, construídas em taipa de pilão, medem cerca de 80 cm de espessura. Sardinha comprava escravos em Angola e os trazia ao Brasil. No piso inferior da casa ficava a senzala; suas janelinhas podem ser vistas desde fora. Infelizmente, o casarão está fechado há anos e não pode ser visitado devido ao seu mal estado de conservação.

A falta de preservação deste patrimônio natural, histórico e público é muito triste e vergonhosa, mas não deixe de visitar essa região tão bela de São Paulo.

Não esqueça de levar: binóculo, comidinhas para o piquenique, protetor solar, repelente, boné e água.

Endereço: R. Antônio Cardoso Nogueira, 539 - Vila Chica Luisa, São Paulo - SP, 05184-000
Horário de funcionamento: segunda a sexta de 07:00 a 17:00
Telefone: (11) 3941-2162